Luiz Zerbini revela pesquisa gráfica da última década: “resultados inimagináveis”
Ele inaugura exposição gratuita no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com cerca de 230 obras
O Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, inaugura, nesta sexta-feira (26), Estrelas Escolhidas, individual de Luiz Zerbini com cerca de 230 obras feitas nos últimos dez anos.
A última década do exímio pintor foi marcada por uma experimentação maior com as artes gráficas, mas sem abandonar a pintura que o popularizou. Assim, a exposição reúne monotipias, pinturas, livros de artista e instalações, que revelam o caráter experimental e processual da pesquisa de Zerbini.
“Esses últimos dez anos de pesquisa gráfica me mostraram um novo campo de possibilidades. Minha inexperiência e desconhecimento técnico me levaram a resultados inimagináveis, que talvez não fossem alcançados se minha formação original não fosse a de um pintor de observação. Um viajante à moda antiga”, conta Zerbini.
Sua pesquisa gráfica ganhou novos desdobramentos a partir da colaboração com o gravador João Sánchez, do Estúdio Baren, no Rio de Janeiro. O encontro entre os dois abriu um campo experimental em que o improviso, o erro e a matéria conduzem a composição das imagens. Ao longo dos anos, a investigação incorporou diferentes suportes, como seda, feltro, pedra litográfica e papéis diversos, além da produção de tintas desenvolvidas especialmente para o trabalho.
No ano passado, Zerbini exibiu duas exposições na Fortes D’Aloia & Gabriel, em São Paulo, galeria que o representa: Vagarosa Luminescência Voadora, com pinturas em grande escala sobre o Cerrado; e Luiz Zerbini in Conversation with Frank Walter, em que revelou pinturas de observação em pequena escala feitas informalmente em viagens.
Ele explica como a pesquisa gráfica influenciou suas pinturas: “Reflexos dessa pesquisa podem ser reconhecidos nas áreas de cores chapadas que aparecem nas minhas pinturas mais recentes. Isso é resultado das experiências que fizemos nas monotipias e que migraram dos papéis para as telas.”
As obras reunidas no Tomie Ohtake têm um ponto em comum: a natureza, que aparece não como ilustração, mas como uma experiência de aproximação, contato e escuta do mundo vivo, a partir do contato direto com plantas, folhas, galhos e cascas. Nas monotipias, as plantas são utilizadas como matrizes, deixando suas marcas diretamente sobre o papel por meio da pressão da prensa, revelando nervuras, texturas e densidades que escapam ao olhar cotidiano.
O conjunto inclui trabalhos desenvolvidos a partir do acervo botânico do Instituto Inhotim e do Sítio Burle Marx. Zerbini também bebe de referências do gênero de gravura japonês Ukiyo-e — xilogravuras populares entre os séculos XVII e XX que tematizavam principalmente paisagens, teatro e bordéis.
Nascido em São Paulo e radicado no Rio de Janeiro, Zerbini construiu uma relação contínua com a paisagem e com o universo botânico. Seu ateliê – por muitos anos próximo ao bairro do Jardim Botânico – e, posteriormente, seu próprio jardim particular tornaram-se espaços de observação e convivência cotidiana com diferentes espécies vegetais.
Além das obras gráficas, a exposição apresenta núcleos dedicados às publicações produzidas pelo artista, além de um projeto sobre etnobotânica – ciência que estuda a relação entre os seres humanos e as plantas – ainda em desenvolvimento.
Serviço
Estrelas Escolhidas
Até 19 de agosto
Instituto Tomie Ohtake | Rua Coropé, 88, Pinheiros, São Paulo – SP
Terça a domingo, das 11h às 19h (entrada até 18h). Fechado às segundas
Ingresso: Gratuito