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Miró em São Paulo: o que ver na maior exposição do mestre catalão no Brasil

Mostra reúne mais de 140 itens, incluindo obras inéditas que nunca haviam saído da Espanha

Por Ana Mércia Brandão 7 ago 2026, 12h33 | Atualizado em 24 ago 2026, 12h20
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Vista da exposição, com destaque para as esculturas em bronze de Miró (Masao Goto Filho/acervo rede Abril)
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O Museu de Arte Brasileira da Faap (MAB Faap), em São Paulo, abre nesta sexta-feira (7) a exposição Miró: Mestre das Formas, que reúne mais de 140 itens que promovem um mergulho na linguagem única do mestre catalão Joan Miró (1893-1983).

Essa é a primeira grande panorâmica do artistas no Brasil em mais de dez anos – em 2015, o Instituto Tomie Ohtake sediou Joan Miró – A Força da Matéria – e tem como diferencial promover um percurso abrangente pelos diferentes formatos e técnicas que os trabalhos de Miró assumiram ao longo de mais de cinquenta anos – as obras em cartaz datam da década de 30 aos anos 80.

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Litografias de 1972 em cartaz (Masao Goto Filho/divulgação)
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Mestre das Formas é realizada pelo Instituto Totex, o mesmo responsável por Andy Warhol: Pop Art!, que levou 600 obras e um público de 300 000 visitantes ao mesmo MAB Faap em 2025; em parceria com a Fundació Joan Miró de Barcelona. A instituição catalã foi a principal emprestadora de obras para a exposição, que também recebeu itens da Fundação Miró Mallorca, do Museu de Arte Contemporânea de Mallorca e do Museu Es Baluard. Os mais raros, no entanto, vêm do acervo pessoal da família do artista, de onde nunca haviam saído.

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O neto do artista catalão e membro da Susseció Miró, que gere seu espólio, Joan Punyet Miró, foi o principal intermediário para trazer essa exposição ao Brasil e veio a São Paulo acompanhar a abertura da mostra.

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“Quero que as pessoas que visitem esta mostra do meu avô vejam um artista muito generoso com a forma, muito expressivo com a cor, muito expressivo com a cor vermelha, [que representa] o sol, o mediterrâneo, Mallorca, Barcelona, e que vejam uma forma de trabalhar totalmente onírica, do mundo do sonho, do universo mais pessoal desse criador de formas e linguagens. Penso que Miró era um artista muito polivalente, que trabalhava todos os materiais, todas as linguagens plásticas e aqui nesta mostra temos exemplos de toda essa produção plural”, afirma Punyet.

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Joan Miró (Joaquim Gomis/Fundação Joan Miró/divulgação)
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A exposição tem curadoria do espanhol Jordi J. Clavero e está dividida em cinco núcleos, que destacam tanto a temática das obras quanto sua forma; e o uso do vermelho, azul, amarelo, verde, branco e preto, cores primárias com as quais criava explosões na tela. Formas orgânicas, símbolos poéticos e o uso marcante de cores primárias fizeram de Miró um dos nomes mais influentes da arte moderna. Miró viveu intensamente as transformações artísticas do século XX,  criando uma linguagem própria, dialogando com o surrealismo e o fauvismo.

Quatro elementos para prestar atenção na exposição de Miró em São Paulo

Principal obra

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Mulher e Pássaros em uma Paisagem (1970-1974) (Masao Goto Filho/acervo rede Abril)
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Para Joan Punyet Miró, a principal obra da exposição é também sua maior pintura em escala, Mulher e Pássaros em uma Paisagem, feita entre 1970 e 1974, em acrílica sobre tela.

“É uma explosão de cor vermelha e é muito automática, muito intuitiva, cheia de vida, cheia de cor, cheia de otimismo, principalmente com a estrela. A estrela central fala da noite, do universo cromático de Miró e o mundo do sonho, do surrealismo, da imaginação intuitiva e sobretudo do gesto automático. É muito importante falar do automatismo pictórico, do dadaísmo, que era a revolução contra a pintura mais formalista, mais acadêmica e mais paisagista. Esta é uma forma de falar do assassinato da pintura acadêmica para entrar no âmbito do sonho, da imaginação e da liberdade”, diz ele. “Para mim, essa obra é um testemunho livre de um artista comprometido com a pintura mais universal, nunca ligada a uma descrição nem acadêmica, nem figurativa, nem paisagística.”

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Tapeçarias

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Uma das tapeçarias em cartaz (Masao Goto Filho/acervo rede Abril)

Uma sala é dedicada ao trabalho têxtil de Miró, feito em parceria com o mestre tapeceiro Josep Royo. Miró conheceu Royo em 1969 e, então, retomou seu apreço pela arte com fios.

A sessão inclui sete das oito tapeçarias encomendadas pela família de Miró a Royo após a sua morte, como uma homenagem ao mestre catalão. Elas transpõem para o têxtil gravuras de Miró do livro  Le Lézard aux Plumes d’Or [O Lagarto de Penas Douradas].

“As tapeçarias que temos aqui em São Paulo são peças que tem muito a ver com o organismo vivo, com a forma da natureza brasileira. Meu avô tinha uma forma natural de trabalhar a natureza, de estar em contato com a terra, com o bosque, com as árvores, com os pássaros, com a lua, com o sol. Não é uma pintura industrial, não é um material artificial, é um material vivo”, diz Punyet.

Fotos

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Seleção de fotos ao fundo (Masao Goto Filho/acervo rede Abril)

Em uma das paredes do espaço expositivo há uma seleção de trinta fotos clicadas pelo fotógrafo catalão Joaquim Gomis. Elas são parte do acervo da Fundació Miró e retratam o artista em seus ateliers em Mont-Roig del Camp, cidade na província de Tarragona onde passava muito de seu tempo; em Barcelona, onde nasceu; e em Palma de Maiorca, onde se estabeleceu no fim da vida.

Ainda, permitem um relance no processo criativo de Miró, retratando como ele usada objetos encontrados ao acaso para suas obras. “Queríamos mostrar o lado humano do Miró, porque a gente só conhece o Miró de terninho, mais arrumadinho e tudo. E o Miró era muito na dele, muito fechado, mas esse amigo dele, o Joaquim Gomis, capturou esse lado humano do artista. É muito legal, porque você vê ele como pessoa, o processo criativo e as obras obras ali expostas, traz outra percepção”, diz Roberto Souza Leão, CEO do Totex.

Frases

O espaço expositivo está povoado de frases ditas por Miró em entrevistas ao longo da vida. Elas dialogam com as obras em cartaz e permitem ao público perceber como esse artista enxergava a própria arte e o fazer artístico em geral.

“Nunca uso a tela em branco tal como as que se pode comprar em lojas de material de artístico. Eu provoco acidentes – uma forma, um ponto de cor, qualquer acidente é bom. No começo, é algo direto. É o material que decide. Eu preparo o solo – limpando meus pincéis na tela, por exemplo. Derramar um pouco de terebentina também pode funcionar muito bem”, disse ele em 1951.

Serviço

Miró: Mestre das Formas

Até 12 de outubro

MAB Faap | Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo – SP

Terça a domingo, das 9h às 20h. Fechado às segundas

Ingresso: de R$ 25,00 a R$ 60, 00, na bilheteria do museu ou no site mmf26.com.br.

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