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Lendário sambista Riachão ganha álbum póstumo

Lançado pela Natura Musical, "Onde eu cheguei, está chegado" traz 10 canções inéditas e tem participações de Criolo e outros grandes nomes do samba

Por Redação Bravo! 23 fev 2025, 08h00
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Riachão  (Antonio Brasiliano - 2017/divulgação)
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“Não me dá ideia de escrever nada, o samba está dentro da minha cabeça, de acordo com o que acontece ao meu redor.” Foi assim que Riachão definiu seu processo criativo. Antes de partir, em 2020, o sambista baiano expressava o desejo de viver até os 100 anos. Esse, inclusive, seria o nome de seu quinto álbum. Infelizmente, a vida, com suas surpresas, não lhe concedeu mais tempo para realizar seus últimos sonhos. Ele morreu em março de 2020, aos 98 anos, deixando um legado incontestável. Com mais de 500 composições, Riachão foi um dos sambistas mais importantes e respeitados do país. Começou a compor aos 15 anos, depois de ler um artigo que afirmava que a música do Rio de Janeiro era “superior à da Bahia”. Queria provar que estavam enganados.

Cinco anos após sua partida, o selo Natura Musical lançou um álbum póstumo do cantor, intitulado Onde eu cheguei, está chegado. O disco traz 10 canções inéditas, interpretadas ao lado de grandes nomes da música brasileira. Criolo e Martinho da Vila dividem os vocais com ele, enquanto Beto Barreto adiciona os timbres da guitarra elétrica e seu neto Taian reforça a carga afetiva familiar. O elenco se completa com Teresa Cristina, Pedro Miranda, Roberto Mendes, Josyara, Enio Bernardes, Juliana Ribeiro, Fred Dantas, Nega Duda e Clarindo Silva, sob a produção musical de Caê Rolfsen e Paulinho Timor.

Entre as faixas, estão Sou da Bahia, Tintin, Uma vez na janela, Sua vaidade vai ter fim, Saudade, Sonho do mar, Samba quente, Oh, Lua, Morro do Garcia e Homenagem a Claudete Macedo.

O resultado é um álbum afetuoso, leve e envolvente, que equilibra o samba raiz e o choro com uma nova roupagem. “Quando ele morreu, estava extremamente animado com o projeto e o disco estava em processo de escolha de repertório. A readequação de tudo não foi simples, mas, quase cinco anos depois, cremos que estamos prestando a homenagem mais à altura de Riachão possível”, afirma Joana Giron, da Giro Planejamento Cultural, responsável por dar novo destino ao projeto.

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“Ele estará presente no disco, mesmo após a sua partida. A gente queria o Malandro cantando, e felizmente conseguimos: a voz imortal de Riachão, que é sempre o seu melhor intérprete”. É neste contexto que unir artistas que valorizassem devidamente o repertório foi primordial. Riachão volta grandioso, cantado e tocado por quem reverencia e fará ecoar o seu legado”, destaca o produtor musical Paulinho Timor, que acompanhou a trajetória do sambista.

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Riachão (Antonio Brasiliano - 2017/divulgação)

Nascido em Salvador, em 1921, Clementino Rodrigues teve seu primeiro contato com a música por influência dos atabaques do candomblé, religião de sua mãe, e das rodas de capoeira, pelo lado do pai. Desde jovem, aprendeu canções transmitidas oralmente por seus avós, que foram escravizados. Mais tarde, começou a compor suas próprias músicas e a se apresentar em festas populares e rodas de bamba. Iniciou sua trajetória num período em que o samba ainda enfrentava muito preconceito, mas chamou a atenção de Jackson do Pandeiro e, mais tarde, de Gilberto Gil e Caetano Veloso, que deram voz ao clássico Cada Macaco no Seu Galho. Com o tempo, foi reconhecido e interpretado por grandes nomes como Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Cássia Eller e Zélia Duncan, tornando-se uma referência fundamental na história do samba brasileiro.

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Capa do album Onde eu cheguei, está chegado (Riachão/divulgação)
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