Espaço de Audição: Conheça o trio Refúgio dos Amores Improváveis
O grupo formado por Eline, Gab Lara e Tom Karabachian mistura MPB e indie para explorar as conexões e desencontros afetivos
O trio musical Refúgio dos Amores Improváveis, formado por Eline, Gab Lara e Tom Karabachian, apresenta seu primeiro álbum homônimo, disponível nas plataformas digitais. O disco reúne dez canções autorais que exploram as múltiplas faces do amor; dos encontros improváveis às histórias de afetos que se constroem e se desfazem.
O projeto nasceu da conexão entre os três músicos, que começaram a compor juntos de forma despretensiosa durante um trabalho compartilhado em 2022. “Nos quartos de hotel, tocávamos juntos sem expectativa, e em dois dias já tínhamos sete músicas prontas. Foi algo muito orgânico, uma conexão rara que nos mostrou que era preciso registrar e lançar essas canções”, lembra Eline.
A sonoridade do disco mistura pop, indie e MPB, com arranjos que combinam violões, sopros, violoncelo, beats e sintetizadores. A proposta, eles contam, era criar uma experiência que fosse ao mesmo tempo íntima e expansiva.
Entre as influências do trio estão ícones da música brasileira como Clube da Esquina, Gilberto Gil, Djavan, Gal Costa, Tribalistas e Caetano Veloso, ao lado de artistas contemporâneos como Olívia Dean, Maro, Tim Bernardes, Lizzy McAlpine e Billie Eilish.
O álbum, produzido pela Moodstock (Julio Raposo, Pepê Santos e Uiliam Pimenta) e Lucas Nunes, inclui faixas que alternam ritmos dançantes até românticos e reflexivos. “Tem músicas para passear ao sol e outras para se recolher em dias chuvosos. É uma mistura de moderno e orgânico, digital e analógico, com um olhar contemporâneo e popular”, explica Tom.
O lançamento acontecerá em dois shows intimistas no Rio de Janeiro (Manouche, 22/10) e em São Paulo (BONA Casa de Música, 28/10), acompanhados por Canequinha no violão, guitarra e baixo, e Léo Reis na percussão e bateria.
Conheça o trio:
Qual é a primeira memória que você tem da música?
ELINE: Meu pai com o violão 🙂
TOM: Como tive sempre muita música na minha infância, não tenho claro na cabeça a primeira memória, tenho várias.
GAB: Rebolando minha fralda ao som de Garota Nacional do Skank.
Como você define a essência deste álbum em uma frase?
ELINE: Esse álbum é um pouco de cada um de nós. Aquela mistura gostosa de pop, indie e Mpb.
TOM: Prefiro deixar a definição para quem escuta, mas se tem uma coisa que posso comentar é que ele é bem sincero.
GAB: O que faz uma história de amor dar certo? Nosso álbum é sobre esses encontros e desencontros.
Qual foi o maior desafio desse projeto?
ELINE: Que os arranjos do álbum mantivessem a essência das canções.
TOM: A escolha das canções que seriam gravadas, demoramos bastante pra tomar essa decisão, mas no final ficamos bem satisfeitos.
GAB: Acho que o mais difícil é escolher nossas batalhas. São muitas opiniões ao mesmo tempo, então a gente precisa entender quando deixar a coisa fluir e quando defender nossa própria vontade.
Você tem algum ritual antes de um show?
ELINE: Gosto de me concentrar, ficar em silêncio e depois dar aquela energizada maravilhosa, olho no olho e mãos dadas com a banda antes de entrarmos.
TOM: Gosto muito de aquecer corpo e voz, parecido com prática que uso no teatro, só que com técnicas mais especializadas para show, me conecto com o que me fortalece e faço meu trabalho!
GAB: Não sou muito dos rituais. Na verdade, até sou, mas no sentido habitual dos ritos. Sou meio metódico, então o “ritual” que eu faço é só a minha rotina de aquecimento de voz e respiração. Nada muito místico.
Se você pudesse escolher um único artista para ouvir “em repeat” quem seria?
ELINE: Gal Costa
TOM: Djavan, todas, tudo, até o final da vida.
GAB: João Gilberto não me cansa nunca. Todos os outros eu tenho fases, mas João é o único que me traz uma sensação de calmaria e que nunca sai da minha playlist.
O que ninguém conta sobre viver de arte/música no Brasil?
ELINE: Uma trabalheira danada. Eu amo viver de arte, mas é muito trabalho. Muitas horas de dedicação e uma equipe que faz tudo acontecer.
TOM: Ser artista, no mundo de hoje, não é apenas exercer sua profissão. Um médico entra na sala e sabe o que fazer, qual o melhor remédio, como cuidar daquela dor. O artista precisa ser curioso, tem que estudar o trabalho dos outros. Antes, perceber o mundo, depois aplicar no seu conhecimento.
GAB: Fala-se muito e escuta-se pouco. As pessoas adoram questionar se o artista merece mesmo estar ali, criticam as músicas, falam mal. Existe uma guerra de gêneros musicais no Brasil. Se eu gosto de MPB, odeio Trap e Sertanejo. Se eu gosto de Rock, odeio Pop. É só escutar as músicas que você gosta, não precisa odiar o resto.
Que parte do processo musical te dá mais tesão: compor, gravar ou estar no palco?
ELINE: Difícil escolher. Amo todas as etapas, mas existe uma magia diferente no momento da composição.
TOM: Essa é difícil hein… Imagino que seja que nem filho, cada etapa tem o seu lugar especial para os pais. Mas pra entrar na brincadeira, diria que o processo de compor, pois é um momento sagrado e inexplicável.
GAB: Vindo do teatro, me sinto muito confortável num palco. Acho que é a minha essência. Mas ultimamente tenho me apaixonado pelo estúdio. Esse processo de gravação de um álbum é muito gostoso de viver. Trabalhoso, estressante, mas quando acaba, fico triste.
Que álbum você considera indispensável, aquele que mudou seu modo de ver a música?
ELINE: Barulhinho Bom – Marisa Monte
TOM: A Tábua de Esmeraldas – Jorge Ben
GAB: Clube da Esquina
Qual artista brasileiro deveria ser mais reconhecido do que é atualmente?
ELINE: Alva. O trabalho dela é muito potente.
TOM: São tantos… Da velha guarda: Mateus Aleluia, Alaide Costa, Lazzo Matumbi..
Da nova geração: Josyara, Italo França, Giuliano Eriston..
GAB: Bruno Berle
11) Se pudesse atravessar o tempo para assistir a um show, qual seria?
ELINE: Incité do Lenine
TOM: 1 só??? Hahahah Amaria ter visto o show do Cazuza, da Rita Lee e do Raul Seixas….
GAB: Gilberto Gil ao vivo na USP em 1973. Tem o disco inteiro nas plataformas. Assistir isso ao vivo deve ter sido inacreditável.