Oscar 2026: K-pop conquista espaço na premiação e vence duas categorias
Fenômeno da Netflix, 'Guerreiras do K-Pop' leva Melhor Animação e Canção Original
A 98ª edição do Oscar, realizada neste domingo (15) no Dolby Theatre, mostrou que a influência do K-pop transcende as paradas musicais para pautar a indústria cinematográfica. O longa Guerreiras do K-Pop (K-Pop: Demon Hunters), distribuído pela Netflix, fez história ao vencer duas das categorias da noite: Melhor Animação e Melhor Canção Original com a faixa “Golden”.
A vitória de “Golden” é um marco absoluto, tornando-se a primeira canção de K-pop a receber uma estatueta da Academia. O êxito é reflexo de uma temporada muito marcante para a animação: o longa ultrapassou as 500 milhões de visualizações na Netflix, enquanto o videoclipe oficial da faixa principal rompeu a barreira de 1 bilhão de views no YouTube.
A animação apresenta o trio feminino HUNTR/X, uma dinastia de caçadoras de demônios que precisa equilibrar a carreira de idols com a proteção do mundo contra criaturas infernais. A trama ganha camadas de rivalidade com os Saja Boys, grupo masculino que tenta desbancar o protagonismo das heroínas.
Para dar vida a essa narrativa, a produção reuniu um elenco que inclui Arden Cho, Ken Jeong, Daniel Dae Kim, Ahn Hyo-seop, May Hong e Ji-young Yoo. Contudo, o coração da obra reside na trilha sonora e na voz por trás da personagem Rumi: a cantora e compositora EJAE.
A trajetória de EJAE é um dos pontos mais sensíveis e potentes por trás do filme. Ex-trainee da SM Entertainment, a artista passou cerca de dez anos no rigoroso sistema de formação coreano, treinando ao lado de futuras estrelas do Girls’ Generation e SHINee. No entanto, EJAE nunca chegou a debutar como idol, dado que ficou marcada por avaliações mensais que priorizavam padrões físicos em vez de seu talento vocal.
Em depoimento ao podcast And The Writer Is…, a cantora revelou os impactos psicológicos daquele período, citando as críticas severas que recebia sobre seu peso e o tom de sua voz, classificada na época como “feia” por fugir dos agudos padronizados. “Na adolescência, você é muito sensível e se preocupa com a aparência. No entretenimento, você está sempre sendo criticada de forma direta, sem sutileza”, relembrou.