13 melhores looks do Met Gala 2026 e suas referências de arte
O evento uniu arte e moda com o tema: 'Costume Art' (Arte do Vestuário), mostra inaugura dia 10 de maio para o público
Tradicionalmente, toda primeira segunda-feira de maio (04) amplamente aguardada pelos fashionistas e amantes das artes visuais. É nesse dia que acontece, em Nova York, o Met Gala, evento beneficente para arrecadar fundos e manter o Costume Institute do Metropolitan Museum of Art (MET)— custa, de acordo com pesquisas, US$ 300 milhões (aproximadamente 305 milhões em 2018).
Em 2026, o tema que pairou o tapete verde (inspirado na obra “Noite Estrelada” [1889] de Van Gogh) foi ‘Costume Art’ (a arte do figurino, em tradução livre) e trouxe como grande destaque o retorno de Beyoncé após um hiato de uma década. Este ano, os looks mais comentados foram de artistas como a rainha do pop Madonna, o cantor porto-riquenho Bad Bunny e a modelo e apresentadora alemã Heidi Klum (conhecida pelo reality Project Runway).
Em conversa exclusiva com a Bravo!, a jornalista de moda Lilian Pacce analisa a relevância cultural de um encontro deste porte:
“A moda e a arte ganham nessa conjuntura, porque criam um diálogo direto entre si. Uma desperta na outra o sonho e o desejo. O Met é entretenimento, mas não só. Ele tem o poder de provocar cultura” – Lilian Pacce
Protestos silenciosos no Met Gala 2026
Vale ressaltar que, este ano, o MET foi patrocinado, pela primeira vez, inteiramente por duas pessoas físicas e bilionárias: Jeff Bezos (dono da Amazon) e a repórter e empresária Lauren Sánchez, casada com Bezos, o que gerou um movimento reverso de boicote nas redes sociais e a ausência de personalidades como as atrizes Zendaya e Meryl Streep.
Para Rafael Miranda, professor de Relações Internacionais da FECAP, o sistema de moda sempre operou linguagem política, seja afirmando identidades, contestando normas ou reproduzindo hierarquias. “A presença de Jeff Bezos como figura central no Met Gala deste ano, como chair honorário e principal financiador, não é apenas simbólica; ela se insere em um movimento mais amplo em que grandes lideranças das big techs passam a exercer forte influência sobre a arena política global”, explica o cientista político.
Ele adiciona ainda a aproximação mais explícita das lideranças centrais do capitalismo tecnológico com a moda gerando novas disputas em curso no capitalismo global.
“Não se trata apenas de vestir corpos, mas de vestir narrativas. Essas empresas passam a buscar, na moda, uma forma de exercício de influência cultural e legitimidade social. E o Met Gala é o palco perfeito para isso” – Rafael Miranda
Política e moda em disputa
Enquanto o Met avançava altas horas, protestos aconteciam no mesmo lugar que o luxuoso tapete foi estendido. Liderado por um grupo de ativistas, nomeado de Todo Mundo Odeia o Elon, em referência a Elon Musk, dono da Tesla e X, espalharam garrafas com urina falsa no local em crítica ao fundador da Amazon e às condições de trabalho na empresa.
Os protestos fazem alusão a alegações que funcionários de uma das maiores empresas de varejo e tecnologia do mundo não conseguiriam ir ao banheiro durante o expediente. Cartazes também foram encontrados, pedindo a taxação dos ricos e criticando a relação de Donald Trump, presidente norte-americano, com bilionários.
Lilian Pacce defende que estamos em um momento complexo coletivamente. “Há uma certa ingenuidade na gritaria, porque o suporte financeiro dos melhores museus do mundo vem de negócios e empresários predatórios, como big techs, petróleo, indústria química, entre outras. Mas para Bezos não basta financiar, é preciso aparecer — e ele está adorando ‘se exibir’ e brincar de transformar o Costume Institute na casinha de boneca de sua mulher.”
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Moda sem contexto é só tecido
Parte do sucesso do Met Gala é alimentado pelos comentários de especialistas e fashionistas de plantão prontos para julgar o look alheio no conforto de seus lares e eleger os melhores e piores looks do Oscar da Moda. “Gosto de quem usa essa oportunidade única de vitrine do Met para exercitar uma fantasia onírica seguindo o tema. Adorei ver quem foi atrás de referências na história da arte, por exemplo.”
A especialista destaca a aparição de “Madame X” (1884), de John Singer Sargent: Lauren Sánchez . “Uma obra importantíssima do pintor inglês que era tido como um stylist de sua época. Aquela alça caída do vestido provocou um escândalo enorme na época inclusive difamando Madame X, parece simples, mas tem uma simbologia enorme”, pontua.
Voltando Confira abaixo os 13 melhores looks selecionados pela equipe de redação da revista Bravo!.
Anok Yai, de Balenciaga
anok yai – met gala 2026. pic.twitter.com/F86iVk30uw
— 21 (@21metgala) May 5, 2026
A modelo reinterpretou o fenômeno católico em que a Virgem Maria chora pela perda do filho, Jesus Cristo. Os casos são comuns por toda a Itália, e um deles foi reconhecido pela Igreja Católica como uma mensagem de luto e de amor eterno — ocorrido em Siracusa em 1953. Conta a história que uma escultura chorou por quatro dias, e a composição do líquido que saía dos seus olhos era idêntica à das lágrimas humanas.
A modelo egípcia de ascendência sul-sudanesa substituiu as lágrimas por lágrimas 3D aplicadas ao rosto e apostou em uma beleza que remete ao bronze, material utilizado em esculturas. O cabelo e maquiagem foi assinado pela beauty artist Sheika Daley. O vestido ficou nas mãos do estilista Pierpaolo Piccioli, em um look Balenciaga feito sob medida que tinha como referência a Madona Negra.
Madonna, de Saint Laurent
.@Madonna attends the Met Gala 2026!#MetGala pic.twitter.com/w4eRjb5ipU
— Madonna Records (@MadonnaRecords) May 5, 2026
Rainha do pop está com os dias contados para o seu retorno ao mundo da música com seu novo trabalho Confessions II. Madonna recriou o quadro “A Tentação de Santo Antônio”, de 1945, da artista surrealista Leonora Carrington, de 1945.
A pintora desempenhou um papel fundamental ao subverter o papel tradicional das “musas”, posicionando-se como defensora da liberdade artística feminina e abordando temáticas opostas e ambíguas em suas obras.
Rihanna, de Margiela
Já é tradição: Rihanna, uma das celebridades mais aguardadas da noite, atravessou as escadarias do Met junto com seu marido ASAP Rocky que definiu o look como “brilhante como um diamante”, em alusão ao hit “Diamonds” (2012). O vestido tinha inspiração nas estruturas medievais e na atmosfera de Flandres, com drapeados e formas mais primitivas.
De acordo com a grife, foram utilizados mais de 115 mil cristais de joias antigas e mais de 1.300 horas de produção no ateliê em Paris.
3 clássicos dos anos 90 e 2000 que estão ganhando sequência
Beyoncé, de Olivier Rousteing
Depois de um hiato de dez anos sem comparecer ao MET Gala, Beyoncé surgiu com toda a família para celebrar seu retorno triunfal. Enquanto sua filha, Blue Ivy, foi de Balenciaga branco no melhor estilo balonê, a cantora apostou em incontáveis pedrarias e plumas em um modelo assinado por Olivier Rousteing (ex-diretor criativo da Balmain).
Ao ser questionada sobre a escolha, Beyoncé respondeu: “alguém que tem sido muito leal a mim, e com quem já criei tantos looks icônicos”. Na entrada da festa, Queen B revelou que seria “uma noite de celebração à sua família”.
Audrey Nuna, de Robert Wun
A cantora americana se inspirou em uma das composições abstratas de Jackson Pollock, pintor norte-americano considerado revolucionário por seu estilo de gotejamento — o drip painting —, técnica que definia o Expressionismo Abstrato e o Action Painting. O método envolvia telas gigantes colocadas no chão, latas de tinta penduradas e movimentos corporais sobre a superfície.
Para seu primeiro Met, Nuna elegeu Robert Wun como criador do look. O estilista acaba de assinar o styling de um dos figurinos que Lady Gaga usa em seu feat com Doechii na faixa “Runway“, que compõe a trilha-sonora do filme O Diabo Veste Prada 2.
Sabrina Carpenter, de Dior
ICÔNICA! Em homenagem ao filme “Sabrina” (1954), Sabrina Carpenter usou um look feito com rolos de filme no #MetGala 🎞️ pic.twitter.com/K8AZNsxGeB
— Tracklist (@tracklist) May 5, 2026
A cantora prestou uma bela homenagem a Audrey Hepburn com inspiração no filme Sabrina, estrelado pela atriz em 1954. O modelito foi assinado por Jonathan Anderson para a Dior e constituído inteiramente por rolos de filme com cenas do longa.
Dirigido por Billy Wilder, Sabrina marca o início da parceria de Audrey com a Givenchy e, no ano de seu lançamento, concorreu a seis estatuetas no Oscar, vencendo na categoria de Melhor Figurino.
Venus Williams, vestida de Swarovski
#metgala2026 co-chair Venus Williams serves off court too 🎾 pic.twitter.com/lBCUjYCV2W
— HYPEBEAST (@HYPEBEAST) May 4, 2026
A homenagem ao tênis e à sua família veio por meio de um colar inspirado na placa de Wimbledon, torneio de tênis mais antigo (1877), com símbolos preciosos para Williams. O acessório faz referência à sua trajetória no esporte. Além de aludir à luta histórica pela igualdade salarial, a joia homenageia os primeiros campeões negros da modalidade.
Venus, coanfitriã do baile, participou da confecção da peça, e um croqui feito pelo artista Robert Pruitt foi publicado em suas redes sociais. “Senti como se fosse uma forma pessoal de me conectar com a ‘Costume Art’, usando a moda para contar uma história sobre legado e progresso, e homenageando aqueles que a tornaram possível”, disse à Vogue estadunidense.
Jaafar Jackson, Ralph Lauren
JAAFAR JACKSON AT THE MET GALA THIS IS NOT A DRILL pic.twitter.com/FrfVwvawKP
— ☆ (@miubeths) May 4, 2026
Sobrinho de Michael Jackson e protagonista do recente filme biográfico sobre o astro do pop, Jaafar escolheu homenagear o tio no Met. Para isso, optou pelo smoking da Ralph Lauren e contou com a stylist Ilaria Urbinati para cruzar as escadarias.
A composição trazia elementos essenciais associados ao Rei do Pop, como meias e detalhes em dourado, todos reinventados.
Hunter Schafer, de Prada
A atriz, conhecida pelo papel de Jules na série Euphoria (HBO), trouxe Gustav Klimt para seu look por meio do quadro Mäda Primavesi (1912 – 1913). O simbolista austríaco foi fundamental para a arte moderna, liderando a Secessão Vienense, movimento artístico vanguardista, parte do Art Nouveau. Contra o academismo tradicional e seu estilo ornamental, erótico e de alto teor simbólico, na obra escolhida pela Prada, ele retrata uma menina com um vestido branco da estilista Emilie Flöge, amiga de Klimt, decorado com flores.
Troye Sivan, de Prada
De calça jeans e sobretudo preto, em um look todo Prada, o cantor homenageou o fotógrafo norte-americano Robert Mapplethorpe. Um dos fotógrafos mais influentes e controversos do século XX, era reconhecido pelo rigor técnico impecável, pela busca pela perfeição e por imagens que iam do homoerotismo às estátuas da arte erudita. Ele foi um forte aliado das causas LGBTQIAPN+ e deu luz à Nova York underground dos anos 1970 e 1980.
Rosé, de Saint Laurent
the main event rosé at the met gala pic.twitter.com/8PPoVFi9Mu
— rosie (@roseannepics) May 5, 2026
De Yves Saint Laurent por Anthony Vaccarello e com styling de Law Roach (o mesmo de Zendaya), a cantora combinou o pretinho básico com um broche inspirado nas obras de Georges Braque. O pintor e escultor francês teve papel importante na arte moderna, sendo cofundador do cubismo ao lado de Pablo Picasso.
Braque ficou conhecido pelo poder de geometrização da natureza-morta e desenvolveu, de forma tardia, uma profunda relação com os pássaros, que se tornaram figuras recorrentes em sua obra no fim da vida. O pintor faleceu em 1963.
Heidi Klum, de proteses Mike Marino
Mais do que estilistas e grifes, a modelo contou com o apoio do maquiador e designer de próteses Mike Marino para dar vida a uma estátua de mármore com efeito ultrarrealista. O projeto envolveu um escaneamento 3D de corpo inteiro para esculpir o design com todas as dobras do tecido e drapeados.
Nas redes sociais, ela compartilhou detalhes da produção, inspirada em Veiled Vestal (1847), de Raffaele Monti. Uma mistura de tecido com látex foi utilizada para atingir o efeito desejado.
Gracie Abrams, de Chanel
A cantora apostou em Gustav Klimt por meio da obra “O Beijo”, de 1908 — um dos quadros mais icônicos do pintor, que representa o ápice do simbolismo e de seu “período dourado”.
Mathieu Blazy, diretor criativo da Chanel, ficou responsável por mergulhar na história de Klimt e traduzi-la na roupa de Abrams, repleta de pedrarias e brocados.
Como surgiu o Met Gala?
O ‘Oscar’ da moda existe desde 1948, mas ganhou uma nova faceta na cultura pop nos anos 1990, época em que a jornalista britânica Anna Wintour, então editora-chefe da Vogue americana, assumiu o posto de anfitriã do evento, levando estilistas e atrizes para conferirem em primeira mão a mostra de moda anual do Met. Anualmente, centenas de personalidades escolhidas a dedo pela equipe da Vogue sobem as escadarias do museu para um jantar temático e um after party seleto.