6 livros LGBTQIA+ para conhecer no Mês do Orgulho
De lançamentos a clássicos da literatura mundial, entre obras de ficção e não ficção, que têm como protagonistas personagens gays, lésbicas, trans e bissexuais
Em junho, é celebrado o Mês do Orgulho LGBTQIA+. A escolha homenageia a Rebelião de Stonewall, de 28 de junho de 1969, uma revolta provocada por uma batida policial no bar gay Stonewall Inn, em Nova York.
A ocasião se tornou um marco histórico na luta por direitos civis para a comunidade, em uma época em que a homossexualidade ainda era criminalizada nos Estados Unidos. O dia 28 de junho é considerado o Dia Internacional do Orgulho LGBT.
Para celebrar a data, Bravo! reuniu uma seleção de seis livros com temática LGBTQIA+ para conhecer no mês do Orgulho. Há tanto lançamentos quanto clássicos da literatura mundial, entre ficção e não ficção, que têm como protagonistas personagens gays, lésbicas, trans e bissexuais. Confira abaixo.
Na noite lésbica: o levante do Ferro’s Bar (Autêntica, 2026), de Julia Kumpera
Lançado em maio pela Autêntica, o livro da pesquisadora Julia Kumpera narra o levante do Ferro’s Bar – primeira manifestação lésbica brasileira –, ocorrido em 19 de agosto de 1983, data que hoje marca o Dia Nacional do Orgulho Lésbico.
O ponto de encontro lésbico mais famoso entre as décadas de 1970 e 1980, em São Paulo, foi, também, cenário de tensões, que marcam uma trajetória de preconceitos e avanços, durante a ditadura militar e depois dela. A fotografia da capa é de Rosa Gauditano (1955-2025), reconhecida por seu olhar sensível e pelo importante trabalho documental LGBT e indígena desenvolvido ao longo de sua trajetória.
Asas (Carambaia, 2023), de Mikhail Kuzmin (1872-1936)
Esse é o primeiro romance russo a tratar abertamente da homossexualidade, publicado originalmente em 1906. A narrativa fala de forma aberta e naturalizada sobre o amor entre homens, algo inédito até então nos romances russos. O poeta Ivan Sokolov observa no posfácio à edição que “se perdoarmos o anacronismo da terminologia, não será difícil concordar com aqueles estudiosos que consideram Asas o primeiro romance de coming-out do mundo”.
A obra de Mikhail Kuzmin tem como protagonista o jovem Ivan Smúrov, ou Vánia, que sai do interior para estudar em São Petersburgo. Lá Stroop, que não esconde a natureza de sua relação com outros homens, se tornará uma espécie de mentor, ao mesmo tempo temido e admirado pelo rapaz.
A Suíça – Uma sátira sobre trauma, sexualidade e obsessão (Harper Collins, 2026), de Jen Beagin
Publicado originalmente em 2023, o livro da romancista americana Jen Beagin chegou finalmente ao Brasil em março pela Harper Collins. Ousado e irreverente, o livro mescla humor, sátira e crítica social a partir da perspectiva de Greta, uma mulher que ganha a vida fazendo transcrições de terapias sexuais online.
Ela, então, fica obcecada por uma das pacientes, apelidada apenas de “A Suíça”. O que não sabe é que está prestes a esbarrar na Suíça no parque da cidade e que esse encontro dará início a um novo relacionamento, construído à base de mentiras e que irá transformar a vida das duas para sempre. Vai virar uma série da HBO protagonizada por Jodie Comer, de Killing Eve.
A queda para o alto (Editora Vozes, 2023), de Anderson Herzer (1962-1982)
Neste livro autobiográfico publicado postumamente, Anderson Herzer narra o sofrimento de sua passagem por instituições como a Febem, a formação de sua identidade e os laços, amorosos e de amizade, que construiu ao longo do tempo.
Herzer é considerado o primeiro autor transgênero do Brasil. Com baixa escolaridade formal, ele relata sua vida com maestria, criando uma obra fluida e comovente. O livro reúne, ainda, uma série de poemas escritos pelo autor.
De quatro (Amarcord, 2024), de Miranda July
A cineasta, performer e escritora Miranda July faz desse best seller do New York Times uma espécie de “road book” sobre crescer depois dos quarenta anos. O romance segue uma artista bissexual que, às vésperas do seu aniversário de quarenta e seis anos, decide cruzar os Estados Unidos de carro, de Los Angeles a Nova York, em uma viagem que mudaria sua vida para sempre.
Trinta minutos depois de se despedir do seu marido e da sua criança, ela sai da rodovia e se hospeda em um motel. Entre quatro paredes, uma jornada completamente inesperada se inicia e novas maneiras de desejar e de ser surgem em epifanias nada ortodoxas.
Formas de narrar um corpo (Editora Planeta, 2026), de Rita Von Hunty
O primeiro livro da drag queen e professora Rita Von Hunty, sucesso nas redes sociais, chegou às livrarias nesta segunda-feira (15). Ao longo da obra, Rita articula referências da sociologia, da psicanálise, da literatura e da política para construir uma análise acessível, didática e provocativa sobre gênero, sexualidade e representatividade.