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Tudo sobre a edição de 70 anos de ‘Grande sertão: veredas’

Companhia das Letras relança a obra-prima de Guimarães Rosa com material inédito, novo projeto gráfico, depoimentos e raridades

Por Laura Pereira Lima e Tomás Novaes 15 jul 2026, 19h26 | Atualizado em 16 jul 2026, 18h50
Homem de meia-idade, cabelos escuros e curtos, usando óculos de armação preta, terno escuro e gravata estampada, olhando para baixo com expressão pensativa. O fundo é um painel de madeira claro com persianas horizontais
Guimarães Rosa (1908-1967): setenta anos de 'Grande sertão: veredas' (Arquivo Público Mineiro / Acervo DIMUS/divulgação)
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O livro Grande sertão: veredas, obra-prima de João Guimarães Rosa (1908-1967), completa 70 anos em 2026, e ganha nesta quinta-feira (16) uma edição comemorativa pela Companhia das Letras.

A obra-prima do escritor narra em primeira pessoa as aventuras de Riobaldo e Diadorim pelo sertão mineiro, sem divisão de capítulos. O texto é repleto de neologismos, arcaísmos recuperados, linguagem coloquial e regionalismo retrabalhado.

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Novidades da edição comemorativa

Além do texto original, a nova edição do clássico inclui novos depoimentos e acabamentos:

• Novo projeto gráfico e capa por Alceu Chiesorin Nunes a partir da obra da artista mineira Sonia Gomes;

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• Entrevista de João Guimarães Rosa ao jornalista e tradutor alemão Günter Lorenz, realizada em 1965;

• Ensaio do pesquisador Érico Melo sobre os caminhos dos rascunhos até a forma final do romance;

• Depoimentos inéditos de leitores ilustres que foram influenciados pela obra: Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Giannetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloisa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior;

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• Cronologia completa da vida e dos títulos de Guimarães Rosa e uma galeria de imagens do autor ao longo dos anos;

Livro Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa, edição especial 70 anos. A capa é de tecido rústico bege com costuras brancas, revelando por baixo tecidos coloridos e rendas. A lombada expõe a costura dos cadernos em tons de vermelho e preto
(Divulgação/divulgação)

Raridades

O pesquisador Érico Melo, responsável pelo estabelecimento do texto da nova edição, mergulhou na obra e em três rascunhos originais do livro, concluídos em 1954, 1955 e 1956.

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Segundo o pesquisador, Riobaldo originalmente se chamaria Deodôlfo ou Riodôlfo. “Labutando como um pintor obstinado, Rosa fez retoques significativos no texto até a última prova tipográfica, atento às minúcias capazes de afetar a harmonia do conjunto”, conta Érico.

A maior descoberta da pesquisa foi o texto Boiada. “É um livro inacabado de 1957 do qual existiam apenas referências esparsas, e agora pela primeira vez reproduzido parcialmente (na nova edição de Grande sertão: veredas) e analisado à luz da composição do romance”, detalha. 

Segundo o pesquisador, esse Boiada seria um “relato poético-documentário” da comitiva de 180 cabeças de gado conduzida pelo capataz Manuelzão Nardi em maio de 1952, entre o rio São Francisco e o rio das Velhas, da qual Guimarães Rosa participou.

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Dessa viagem de dez dias, mais cinco de estadia na fazenda da Sirga, em Três Marias, resultaram as anotações de campo que alimentaram a composição do ‘cenário e realidade sertaneja’ de Corpo de baile e Grande sertão: veredas”, explica Érico. 

Como comprar a nova edição?

O livro de 608 páginas chega às livrarias nesta quinta-feira (16). Também é possível adquiri-lo pelo site companhiadasletras.com.br, no valor de R$ 209,90.

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