Tudo sobre a edição de 70 anos de ‘Grande sertão: veredas’
Companhia das Letras relança a obra-prima de Guimarães Rosa com material inédito, novo projeto gráfico, depoimentos e raridades
O livro Grande sertão: veredas, obra-prima de João Guimarães Rosa (1908-1967), completa 70 anos em 2026, e ganha nesta quinta-feira (16) uma edição comemorativa pela Companhia das Letras.
A obra-prima do escritor narra em primeira pessoa as aventuras de Riobaldo e Diadorim pelo sertão mineiro, sem divisão de capítulos. O texto é repleto de neologismos, arcaísmos recuperados, linguagem coloquial e regionalismo retrabalhado.
Novidades da edição comemorativa
Além do texto original, a nova edição do clássico inclui novos depoimentos e acabamentos:
• Novo projeto gráfico e capa por Alceu Chiesorin Nunes a partir da obra da artista mineira Sonia Gomes;
• Entrevista de João Guimarães Rosa ao jornalista e tradutor alemão Günter Lorenz, realizada em 1965;
• Ensaio do pesquisador Érico Melo sobre os caminhos dos rascunhos até a forma final do romance;
• Depoimentos inéditos de leitores ilustres que foram influenciados pela obra: Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Giannetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloisa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior;
• Cronologia completa da vida e dos títulos de Guimarães Rosa e uma galeria de imagens do autor ao longo dos anos;
Raridades
O pesquisador Érico Melo, responsável pelo estabelecimento do texto da nova edição, mergulhou na obra e em três rascunhos originais do livro, concluídos em 1954, 1955 e 1956.
Segundo o pesquisador, Riobaldo originalmente se chamaria Deodôlfo ou Riodôlfo. “Labutando como um pintor obstinado, Rosa fez retoques significativos no texto até a última prova tipográfica, atento às minúcias capazes de afetar a harmonia do conjunto”, conta Érico.
A maior descoberta da pesquisa foi o texto Boiada. “É um livro inacabado de 1957 do qual existiam apenas referências esparsas, e agora pela primeira vez reproduzido parcialmente (na nova edição de Grande sertão: veredas) e analisado à luz da composição do romance”, detalha.
Segundo o pesquisador, esse Boiada seria um “relato poético-documentário” da comitiva de 180 cabeças de gado conduzida pelo capataz Manuelzão Nardi em maio de 1952, entre o rio São Francisco e o rio das Velhas, da qual Guimarães Rosa participou.
“Dessa viagem de dez dias, mais cinco de estadia na fazenda da Sirga, em Três Marias, resultaram as anotações de campo que alimentaram a composição do ‘cenário e realidade sertaneja’ de Corpo de baile e Grande sertão: veredas”, explica Érico.
Como comprar a nova edição?
O livro de 608 páginas chega às livrarias nesta quinta-feira (16). Também é possível adquiri-lo pelo site companhiadasletras.com.br, no valor de R$ 209,90.