3 livros para entender o jogo do bicho no Brasil
Com a estreia de Os Donos do Jogo, nova série da Netflix, sobre o poder e a violência por trás do jogo no Rio de Janeiro, o tema volta ao debate público
Com a estreia de Os Donos do Jogo, nova série da Netflix, de Heitor Dhalia (DNA do Crime), Bernardo Barcellos e Bruno Passeri, sobre o poder e a violência por trás do jogo do bicho no Rio de Janeiro, o tema volta ao debate público. Criado no fim do século XIX como uma forma de arrecadação para o zoológico de Vila Isabel, o jogo atravessou décadas entre a ilegalidade, a influência política e o imaginário popular. Para compreender suas origens, suas conexões com o Estado e o modo como se consolidou como uma das estruturas mais duradouras da contravenção no país, três livros ajudam a contextualizar esse fenômeno que mistura crime, cultura e história brasileira.
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Maldito Invento Dum Baronete: Uma Breve História do Jogo do Bicho (Mórula Editorial, 2024), de Luiz Antonio Simas
Historiador das ruas e profundo conhecedor da cultura carioca, Luiz Antonio Simas revisita, em Maldito Invento dum Baronete, o universo simbólico e popular do jogo do bicho. Longe de ser um relato histórico convencional, o livro utiliza o passado como ponto de partida para pensar o Rio de Janeiro; suas contradições, crenças e encantamentos. Com olhar atento às ruas, aos botequins e às figuras que habitam a cidade, Simas transforma a contravenção em espelho de uma identidade coletiva.
Os porões da contravenção (Record, 2015), de Aloy Jupiara e Chico Otavio
Nesta obra, os jornalistas Aloy Jupiara e Chico Otavio investigam a aliança entre o jogo do bicho e a ditadura militar, revelando como essa parceria moldou parte do crime organizado no Brasil. Durante os anos 1960 e 1970, em plena ditadura, o jogo se profissionalizou, adotando uma estrutura empresarial e militarizada. Em troca de proteção e impunidade, chefões da contravenção colaboraram com o regime na perseguição a opositores políticos. A obra revela como o Estado autoritário ajudou a fortalecer a contravenção e transformou o jogo do bicho em uma das redes criminosas mais influentes do país.
Oeste: a guerra do jogo do bicho (Record, 2014), de Alexandre Fraga
Obra de ficção, Oeste mergulha no submundo do jogo do bicho no Rio de Janeiro, onde política, polícia e escolas de samba se entrelaçam em uma rede de poder e violência. Após a morte de Nabor, o poderoso chefão dos bicheiros, inicia-se uma guerra sangrenta entre famílias rivais e herdeiros em busca do controle do império.