Como o design das garrafas virou parte do vinho de empresa gaúcha
Recipientes da Luiz Argenta reforçam identidade da vinícola e propõem olhar inusitado sobre o consumo; confira a estreia da nova coluna da Bravo!, Arte de Beber
A vinícola Luiz Argenta se tornou conhecida não apenas pelos bons vinhos. A marca gaúcha ficou famosa também pelas garrafas arrojadas que guardam parte dos líquidos, produzidos na cidade de Flores da Cunha (RS).
Curvilíneas, bojudas ou com fundo quadriculado em alto-relevo, elas não são tratadas como meros vasilhames, mas também como peças de design, colecionadas por muitos clientes.
Se, em 2012, foi fabricado um lote mínimo para o primeiro lançamento desse tipo de recipiente, hoje a linha se mostra um sucesso. “Metade da nossa produção (de vinhos) vai em garrafas de design”, conta a diretora-executiva Daiane Argenta.
“A forma que a gente queria para se diferenciar no ponto de venda era gerar um desconforto no olhar, para que pudéssemos chamar a atenção e transmitir mais a nossa identidade, de uma vinícola arrojada”, afirma.
“As pessoas estão levando uma obra de arte completa”, diz ela, referindo-se à forma e ao conteúdo. “E tem a questão da sustentabilidade: vai virar um objeto de design, de decoração. Vão reutilizar.”
As peças são produzidas pela Bruni Glass e importadas da Itália com exclusividade pela vinícola. “Fiquei enlouquecida pela garrafa quando a vi pela primeira vez. Pensei: ‘Meu Deus, é uma obra de arte — e vinho é arte’”, diz Daiane, que descobriu uma dessas peças em um cartão de Natal recebido da indústria italiana.
Era a garrafa chamada dois fundos, que tem a peculiaridade de poder ser disposta na vertical e também na horizontal. É nela que são guardados os vinhos shiraz — primeiro lançamento dessa linha — e o branco de riesling, em vidros escuro e transparente, respectivamente.
As chamadas gêmeas têm uma das laterais reta e a outra curva — quando colocadas lado a lado, parecem uma única garrafa. Originalmente fabricadas para destilados, na vinícola gaúcha guardam vinhos brancos de sauvignon blanc e de gewürztraminer.
A garrafa audrey é inspirada nas curvas e nas saias rodadas da atriz Audrey Hepburn — a base bojuda vai afinando em direção ao topo — e recebe um rosé e um espumante.
Completa a coleção a romane, um frasco de fundo quadriculado em alto-relevo, com tampa de vidro, que abriga o branco Ripano.
Todos os vinhos da linha são feitos para serem consumidos jovens, já que os vidros transparentes não são propícios para vinhos de guarda, assim como o formato das garrafas, que não se encaixam em adegas comuns.
Na produção, parte dos maquinários precisou ser adaptada para dar conta dos formatos diferentes, e alguns rótulos precisam ser colados à mão.
O preço também fica maior. O custo de uma garrafa do gênero pode ser cerca de quatro vezes maior que o de uma tradicional. No ponto de venda, o produto costuma variar entre 120 e 150 reais.
Para o futuro, a marca prevê a importação de um novo formato. “Estamos em fase de escolha”, diz Daiane. A empresa também não descarta convidar algum designer brasileiro para criar uma garrafa exclusiva. “É uma ideia.”