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Por que ‘Xica da Silva’ ainda é um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro

Longa de Cacá Diegues que lançou Zezé Motta ao estrelato retorna aos cinemas após cinquenta anos em versão restaurada

Por Ana Mércia Brandão 15 jul 2026, 18h51
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Zezé Motta em cena de 'Xica da Silva' (Vitrine Filmes/divulgação)
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Meio século depois de transformar Zezé Motta em estrela nacional e levar mais de 3 milhões de pessoas aos cinemas, Xica da Silva pode ser visto novamente nas telonas. O filme que reposicionou o protagonismo negro e feminino no cinema brasileiro é relançado em cópia restaurada em 4K nesta quinta-feira (16).

O relançamento faz parte da Sessão Vitrine Petrobras, cujo circuito exibidor inclui as cidades de Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Niterói, Palmas, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.

Xica da Silva combina humor, erotismo, música, espetáculo e linguagem popular para colocar uma mulher negra no centro absoluto da narrativa. Adaptado do livro Memórias do Distrito de Diamantina da Comarca do Serro Frio, de Joaquim Felício dos Santos, o filme criou uma versão mais irreverente, sensual e subversiva da personagem histórica e foi frequentemente apontado como um comentário ousado — ainda que indireto — sobre a ditadura militar.

O filme é um marco dentro da filmografia de Cacá Diegues, diretor de outros clássicos como Bye Bye Brasil, Tieta do Agreste e Deus É Brasileiro. Xica da Silva foi seu maior sucesso comercial e o primeiro de seus filmes escolhido para representar o Brasil no Oscar. O cineasta morreu em fevereiro de 2025, e esse é o primeiro de seus filmes restaurado após sua morte. 

Além de marcar a carreira do diretor, o longa é um marco também para sua atriz protagonista, Zezé Motta. Hoje com 82 anos, a atriz e cantora, uma das maiores artistas do Brasil, viu sua carreira deslanchar após Xica da Silva e ficou marcada pelo papel. O longa conquistou os prêmios de Melhor Filme, Direção e Atriz no Festival de Brasília.

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O filme, bem como a novela de 1996, é baseado na história oral sobre Francisca da Silva de Oliveira. Chica da Silva foi uma mulher negra escravizada que, após conquistar a alforria, rompeu os padrões de sua época ao manter por cerca de quinze anos uma relação pública com João Fernandes de Oliveira, contratador de diamantes e um dos homens mais ricos do Império Português. Com ele teve treze filhos, criados com privilégios raramente concedidos a descendentes de uma ex-escravizada. Após a partida de João Fernandes para Portugal, Chica assumiu a administração de parte dos negócios e consolidou uma posição de destaque na sociedade local. Em 1868, o advogado diamantinense Joaquim Felício dos Santos escreveu sobre ela em suas Memórias do Distrito Diamantino.

Assim como Chica, na história, ocupou um lugar que era negado a mulheres como ela até então, o filme de Cacá Diegues reposicionou o protagonismo negro e feminino no cinema brasileiro.

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