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Quem foram os irmãos Segreto, pioneiros do cinema no Brasil

Documentário exibido na 21ª CineOP narra como Pasquale, Gaetano e Alfonso Segreto trouxeram a sétima arte para o país

Por Mattheus Goto 18 jul 2026, 08h00
Homens com boinas e chapéus olham da lateral de um navio para várias pequenas embarcações a remo no mar azul, com outros navios ao fundo
Cena de 'Os Irmãos Segreto' (Joana Avelino/divulgação)
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Em uma maré tão boa do cinema brasileiro, é um exercício válido revisitar a origem de tudo por aqui. Nem todo mundo sabe — afinal, são poucos registros da época —, mas foram três irmãos italianos que trouxeram a novidade da sétima arte para o Brasil: Pasquale, Gaetano e Alfonso Segreto.

A trajetória deles é revisitada em Os Irmãos Segreto, dirigido por Federico Ferrone e Michele Manzolini e exibido na 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, que ocorreu de 25 a 30 de junho na cidade mineira e teve Helena Solberg como homenageada.

O documentário narra, em estilo de conto de fadas, a chegada de cada um ao Rio de Janeiro no fim do século XIX, o período difícil na marginalidade do tecido social, a ideia de trazer a tecnologia de projeção de película, o sucesso dos negócios e as desavenças entre si sobre a gestão do espaço e as próprias vidas, em brigas de família. Eles foram uma espécie de Irmãos Lumière do Brasil, com destaque para a atuação de Alfonso, responsável pelas primeiras exibições e filmagens no país.

A escolha pela narração como grande engrenagem para a história veio da limitação das imagens de acervo, das quais só foi possível obter apenas uma produzida de fato por um deles na época. Por isso, na maioria, cenas genéricas ocupam a tela enquanto o narrador Paulo Betti guia o espectador em uma viagem que transita entre fatos históricos e lendas.

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“Muitas das imagens já haviam sido descobertas, estavam em lugares como a Cinemateca Brasileira, em São Paulo, e o British Film Institute, em Londres, na Inglaterra”, conta o diretor Federico Ferrone. “Foi um quebra-cabeça encontrar as imagens ideais para ilustrar a história.”

O tom de conto de fadas veio em decorrência da escassez do material. Muita coisa é misteriosa, transmitida pela tradição oral, pouca coisa era certa”, ele acrescenta. A ideia da produção veio de Hernani Heffner, diretor da Cinemateca do MAM-RJ, produtora associada do projeto.

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O cineasta ressalta um olhar especial para a questão da imigração naquela época. “Era uma fase de mudança e o Brasil era o sonho das pessoas. O filme não fala sobre a questão contemporânea, mas serve para refletir sobre o movimento atual bastante forte na Europa contra a imigração (sendo que na época foram os europeus que migraram).”

Há ainda um retrato do Rio de Janeiro no final do século XIX. “A gente fala em Paris no Trópico. Havia a ideia de cidade da luz, de cinema, de movimento, de futebol.

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Federico compartilha a preocupação da dupla de diretores em demonstrar respeito perante à cultura brasileira, considerando que ambos são italianos. “Não queremos ensinar nada para vocês, é apenas um olhar interessante, uma forma de abrir o diálogo sobre essa parte da história e a relação entre Itália e Brasil, por meio de imagens preciosas.”

Os Irmãos Segreto ainda não tem previsão de estreia no circuito comercial.

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