O que jovens cineastas em Gramado querem para o futuro do cinema brasileiro
Bravo! conversou com participantes de evento de mercado do Festival de Gramado sobre as expectativas para o nosso audiovisual
Além de ser palco de estreias dos filmes mais aguardados do audiovisual nacional, o Festival de Gramado, que aconteceu entre os dias 12 e 22 de agosto, tem um olhar para a formação de novas gerações de contadores de histórias.
Em sua 10ª edição, o Conexões Gramado Film Market, braço de mercado do evento, realizou a Residência para Jovens Cineastas, com encontros, palestras e workshops apresentados por profissionais do setor para dezenas de cineastas em começo de carreira, a fim de discutir não apenas a produção atual, mas o futuro do cinema brasileiro. A imersão teve temas como diversidade, inteligência artificial e novos fluxos de produção.
A revista Bravo! esteve presente e ouviu esses novos talentos sobre o que eles mais desejam ver no setor nos próximos anos.
O que quer a nova geração de cineastas?
Entre os depoimentos colhidos no evento, a busca por descentralização, multiplicidade de linguagens e equidade de gênero no ecossistema audiovisual deu o tom da conversa.
Milena Morais, de Santa Cruz (RS)
“O que eu espero muito poder ver de agora em diante no cinema é mais oportunidades de sets maiores, mais setores, no interior do Rio Grande do Sul, que é de onde eu venho.”
Rafaela de Almeida, de Feira de Santana (BA)
“Mais oportunidades para pessoas que estão começando de se inserir no set, de realmente conhecer, colocar a mão na massa e aprender durante muito tempo, e também que a gente possa viver o cinema fora do núcleo do Sudeste, que é onde tem grandes oportunidades. Existe muita gente boa fora desse núcleo.”
Luis Levandowski, de Gaurama (RS)
“A valorização do cinema independente no interior.”
Sabrina de Lima, de São Leopoldo, e Victoria Lauterbach, de Gramado (RS)
“O que a gente gostaria de ver mais no cinema, não só na frente da tela como atrás das câmeras, é o protagonismo feminino”, diz Sabrina. Victoria acrescenta: “Às vezes é uma coisa que nos é um pouco mais cara, mas é uma coisa que realmente nos importa”. “E unir essa força para que mais mulheres tenham destaques, não só nos departamentos comuns, como produção e arte, mas direção de fotografia, edição, som”, conclui Sabrina.
Leandro Kaczorowski, de Caxias do Sul (RS)
“Gostaria de ver mais elementos de fantasia, do terror, das narrativas mais fantásticas, mais puxadas para uma coisa mais mágica, surrealista, que às vezes são formas muito mais fidedignas de falar da experiência humana, da sociedade, da política.”
Tales e Aiky Braig, alemães que moram na Bahia
“Expandir os gêneros e tipos de filme”, diz Tales. “O que a gente quer enxergar é o cinema brasileiro, não só de gênero, mas de todos os sotaques, todas as regiões e estilos”, complementa Aiky.
A escuta dessa nova geração em Gramado evidencia um movimento claro: o audiovisual brasileiro do futuro quer ser mais plural, ousado nas narrativas e descentralizado.
Confira os depoimentos no vídeo a seguir.





