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A década mais importante do cinema brasileiro, segundo a Abraccine

Associação Brasileira de Críticos de Cinema divulgou lista de 100 filmes brasileiros essenciais, indo de 1931 a 2025, e um período se destaca; entenda o porquê

Por Ana Mércia Brandão 14 Maio 2026, 13h11 | Atualizado em 14 Maio 2026, 13h18
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Cena de "Terra em Transe", de Glauber Rocha (1967)  (Cinemateca Brasileira/divulgação)
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A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) divulgou a lista atualizada de 100 filmes brasileiros essenciais segundo os profissionais filiados à organização. Em comemoração aos seus 15 anos — a Abraccine foi fundada em 2011 —  a entidade volta a eleger os 100 filmes brasileiros mais importantes de todos os tempos, dez anos após a primeira votação.

Além de incluir filmes lançados no período de 2016 a 2026, como o vencedor do Oscar Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, e o indicado ao Oscar O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, a nova listagem traz mais filmes dirigidos por mulheres e pessoas negras e está organizada por ordem de lançamento.

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Cena de ‘Ainda Estou Aqui’ (Alile Dara Onawale/divulgação)

A associação reúne mais de 180 críticos e busca um olhar mais diverso sobre a produção nacional. Durante as votações, foram citados 1 169 títulos de diversas épocas, entre curtas e longas-metragens, até chegar na lista definitiva de 100 nomes.

Os escolhidos vão de 1931 a 2025 e passam por movimentos do cinema brasileiro como a chanchada, o Cinema Novo, o Cinema Marginal e a Retomada. A maioria dos filmes mais antigos da lista está disponível gratuitamente no YouTube. Vale conferir.

O período de maior destaque

Filmes lançados nos anos 60 são maioria na lista da Abraccine. No total, 27 longas lançados de 1960 a 1969 figuram entre os 100 filmes brasileiros mais importantes.

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Cena de ‘O Bandido da Luz Vermelha’ (Cinemateca Brasileira/divulgação)
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O período inclui o lançamento de clássicos como O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte; Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos; À meia noite levarei sua alma (1964), de José Mojica Marins; Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha; São Paulo Sociedade Anônima (1965), de Luiz Sergio Person; e O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, apenas para citar alguns.

A importância dos anos 60 pode ser entendida pela explosão de movimentos cinematográficos importantes que, em comum, tinham o combate à Ditadura Militar, como o Cinema Novo, que surgiu como uma resposta aos filmes comerciais que faziam sucesso no Brasil. Sob o lema “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, cineastas como Glauber e Pereira dos Santos buscaram uma arte engajada, movida pelas preocupações sociais e enraizada na cultura brasileira.

Ainda no final dos anos 60, explode também o Cinema Marginal, de Sganzerla e Mojica, caracterizado por filmes experimentais à margem dos circuitos de exibição, em geral de baixo orçamento, produzidos principalmente na Boca do Lixo, centro de São Paulo. Os cineastas se diziam insatisfeitos com os rumos que o Cinema Novo havia tomado.

5 filmes clássicos para assistir online

Os 100 filmes brasileiros essenciais segundo a Abraccine

Os anos 80 são o segundo período com mais filmes na lista, dezoito, seguido pela década de 70, com dezesseis longas. Há cinco dos anos 90, doze dos anos 2000, doze lançados a partir de 2010, sendo quatro desde 2022. Há ainda dois filmes da década de 30 e da de 40.

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A lista será lançada em forma de livro, com textos críticos dedicados a cada um dos 100 filmes, numa publicação que será lançada no final do ano, pela editora Letramento, com organização de Ivonete Pinto, Danilo Fantinel e Paulo Henrique Silva.

Confira abaixo os 100 filmes brasileiros essenciais segundo a Abraccine.

1. Limite (1931), Mário Peixoto

2. Ganga bruta (1933), Humberto Mauro

3. O ébrio (1946), Gilda de Abreu

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4. Também somos irmãos (1949), José Carlos Burle

5. Carnaval Atlântida (1952), José Carlos Burle

6. O cangaceiro (1953), Lima Barreto

7. Rio, 40 graus (1955), Nelson Pereira dos Santos

8. Rio, Zona Norte (1957), Nelson Pereira dos Santos

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9. O grande momento (1958), Roberto Santos

10. O homem do Sputnik (1959), Carlos Manga

11. Aruanda (1960), Linduarte Noronha

12. O assalto ao trem pagador (1962), Roberto Farias

13. O pagador de promessas (1962), Anselmo Duarte

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14. Os cafajestes (1962), Ruy Guerra

15. Porto das caixas (1962), Paulo Cezar Saraceni

16. Vidas secas (1963), Nelson Pereira dos Santos

17. À meia noite levarei sua alma (1964), José Mojica Marins

18. A velha a fiar (1964), Humberto Mauro

19. Deus e o diabo na terra do sol (1964), Glauber Rocha

20. Noite vazia (1964), Walter Hugo Khouri

21. Os fuzis (1964), Ruy Guerra

22. A falecida (1965), Leon Hirszman

23. A hora e vez de Augusto Matraga (1965), Roberto Santos

24. São Paulo Sociedade Anônima (1965), Luiz Sergio Person

25. A entrevista (1966), Helena Solberg

26. O padre e a moça (1966), Joaquim Pedro de Andrade

27. Todas as mulheres do mundo (1966), Domingos de Oliveira

28. A margem (1967), Ozualdo Candeias

29. Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967), José Mojica Marins

30. O caso dos irmãos Naves (1967), Luiz Sergio Person

31. O menino e o vento (1967), Carlos Hugo Christensen

32. Terra em transe (1967), Glauber Rocha

33. O bandido da luz vermelha (1968), Rogério Sganzerla

34. A mulher de todos (1969), Rogério Sganzerla

35. Macunaíma (1969), Joaquim Pedro de Andrade

36. Matou a família e foi ao cinema (1969), Julio Bressane

37. O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), Glauber Rocha

38. O despertar da besta (Ritual dos sádicos) (1970), José Mojica Marins

39. Sem essa, Aranha (1970), Rogério Sganzerla

40. Um é pouco, dois é bom (1970), Odilon Lopez

41. Bang bang (1971), Andrea Tonacci

42. S. Bernardo (1972), Leon Hirszman

43. Toda nudez será castigada (1972), Arnaldo Jabor

44. Alma no olho (1973), Zózimo Bulbul

45. Compasso de espera (1973), Antunes Filho

46. Os homens que eu tive (1973), Tereza Trautman

47. A rainha diaba (1974), Antonio Carlos da Fontoura

48. Iracema, uma transa amazônica (1975), Jorge Bodanzky e Orlando Senna

49. Dona Flor e seus dois maridos (1976), Bruno Barreto

50. Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), Hector Babenco

51. Mar de rosas (1977), Ana Carolina

52. A lira do delírio (1978), Walter Lima Jr.

53. Tudo bem (1978), Arnaldo Jabor

54. A mulher que inventou o amor (1980), Jean Garrett

55. Bye bye Brasil (1980), Carlos Diegues

56. O homem que virou suco (1980), João Batista de Andrade

57. Pixote, a lei do mais fraco (1980), Hector Babenco

58. Eles não usam black-tie (1981), Leon Hirszman

59. Os saltimbancos trapalhões (1981), J.B. Tanko

60. Das tripas coração (1982), Ana Carolina

61. Pra frente Brasil (1982), Roberto Farias

62. Onda Nova (1983), Ícaro Martins e José Antonio Garcia

63. Amor maldito (1984), Adélia Sampaio

64. Cabra marcado para morrer (1984), Eduardo Coutinho

65. Memórias do cárcere (1984), Nelson Pereira dos Santos

66. A hora da estrela (1985), Suzana Amaral

67. A marvada carne (1985), André Klotzel

68. Filme demência (1986), Carlos Reichenbach

69. Ilha das Flores (1989), Jorge Furtado

70. Que bom te ver viva (1989), Lúcia Murat

71. Superoutro (1989), Edgard Navarro

72. Alma corsária (1993), Carlos Reichenbach

73. Carlota Joaquina, princesa do Brazil (1995), Carla Camurati

74. Terra estrangeira (1995), Daniela Thomas e Walter Salles

75. Baile perfumado (1996), Lírio Ferreira e Paulo Caldas

76. Central do Brasil (1998), Walter Salles

77. O auto da compadecida (2000), Guel Arraes

78. Bicho de sete cabeças (2001), Laís Bodanzky

79. Lavoura arcaica (2001), Luiz Fernando Carvalho

80. Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles e Kátia Lund

81. Edifício Master (2002), Eduardo Coutinho

82. Madame Satã (2002), Karim Aïnouz

83. Cinema aspirinas e urubus (2005), Marcelo Gomes

84. O céu de Suely (2006), Karim Aïnouz

85. Serras da desordem (2006), Andrea Tonacci

86. Jogo de cena (2007), Eduardo Coutinho

87. Saneamento básico, o filme (2007), Jorge Furtado

88. Santiago (2007), João Moreira Salles

89. Trabalhar cansa (2011), Juliana Rojas e Marco Dutra

90. O som ao redor (2012), Kleber Mendonça Filho

91. O menino e o mundo (2013), Alê Abreu

92. Branco sai, preto fica (2014), Adirley Queirós

93. Que horas ela volta? (2015), Anna Muylaert

94. Aquarius (2016), Kleber Mendonça Filho

95. Arábia (2017), Affonso Uchoa, João Dumans

96. As boas maneiras (2017), Juliana Rojas e Marco Dutra

97. Marte Um (2022), Gabriel Martins

98. Mato seco em chamas (2022), Adirley Queirós e Joana Pimenta

99. Ainda estou aqui (2024), Walter Salles

100. O agente secreto (2025), Kleber Mendonça Filho

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