A presença do cinema brasileiro no Festival de Cannes 2026
Depois do sucesso com 'O Agente Secreto' em 2025, saiba quem são os representantes nacionais no evento francês
As atenções dos cinéfilos do mundo todo se voltam à La Croisette nas próximas semanas. O famoso calçadão à beira-mar na Riviera Francesa recebe a 79ª edição do Festival de Cinema de Cannes, de 12 a 23 de maio.
Em 2025, o evento foi o pontapé inicial da trajetória de sucesso de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que ganhou dois prêmios na seleção oficial e culminou com quatro indicações ao Oscar. Com esse histórico, as expectativas estão altas neste ano.
O único diretor brasileiro selecionado é o paulistano Lucas Acher, 30, cujo curta Laser-Gato será exibido na mostra La Cinef, dedicada a filmes de escolas de cinema, visando apoiar novos talentos internacionais. A obra acompanha um adolescente tentando salvar o gato de uma colega da escola em uma odisseia noturna caótica pelo Centro de São Paulo. “Os ânimos estão à flor da pele, eu não imaginava. Mirava no festival há muito tempo, é um sonho para todo cineasta”, conta Acher.
Apadrinhada por Spike Lee, a produção é o projeto de conclusão de curso do cineasta na New York University. “Para mim, é a possibilidade de começar um contato bem valioso com a indústria, com a vontade de escrever e dirigir um longa, idealmente em São Paulo, minha cidade. Tem muitas memórias e elementos que ainda quero colocar nas minhas histórias.”
O Brasil também está presente em Cannes com produções e coproduções. Na competição oficial, Paper Tiger tem a assinatura da RT Features, do produtor carioca Rodrigo Teixeira. Dirigido pelo americano James Gray e estrelado por Adam Driver, Miles Teller e Scarlett Johansson, o longa acompanha dois irmãos que perseguem o sonho americano, mas são envolvidos em uma conspiração da máfia russa. “Acho que vai ser considerado um dos maiores filmes que eu já fiz”, diz Teixeira.
Selton Mello estreia no festival francês como protagonista do filme La Perra, longa da chilena Dominga Sotomayor, na Quinzena dos Cineastas. A obra também tem produção da RT Features, em parceria com o Chile.
Há ainda coproduções: a mostra Un Certain Regard apresenta o filme Um Elefante na Névoa, do nepalês Abinash Bikram Shah, com participação da produtora brasileira Bubbles Project; na Semana da Crítica, Seis Meses no Prédio Rosa e Azul, do mexicano Bruno Santamaría Razo, uma coprodução entre México, Brasil (por meio da empresa pernambucana Desvia) e Dinamarca.
Na seção de mercado de Cannes, a Marché du Film, estão presentes os títulos: Ilhéus, terror dirigido por Manu Sobral; Minha Querida Alice, drama de Rogério Sagui, estrelado por Rafa Kalimann; A Versão da Lei, de Ninna Fachinello e ColetivA Delas; e uma delegação da ONU Mulheres Brasil e do Instituto +Mulheres.
A mostra Short Film Corner exibe o curta-metragem Óleo, produzido por estudantes da Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Por fim, os representantes nacionais no VDF Showcase, plataforma voltada a filmes independentes em fase de finalização e pós-produção, são O Que Sobrou do Céu, Cantos Escuros 2: A Maldição de Safira, Paradise, Covil, Onde Estamos Seguros, Quase Inverno, A Noite de Alaíde e O Chamado do Rosário.