A escola de samba que inspirou Cacá Diegues a filmar ‘Xica da Silva’
Clássico do cinema brasileiro retorna às telonas nesta quinta-feira (16) em versão remasterizada em 4K
Sessenta anos depois da estreia, Xica da Silva (1976) volta às telonas nesta quinta-feira (16). O clássico de Cacá Diegues (1940-2025) lançou Zezé Motta ao estrelato no papel da mulher escravizada que conquistou a liberdade no século XVIII ao seduzir o representante da Coroa Portuguesa e se tornar rica e poderosa.
A versão remasterizada em 4K do longa, com cores ainda mais vibrantes, foi destaque da 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, que ocorreu de 25 a 30 de junho na cidade mineira. “Pouca gente sabe, mas é o maior sucesso comercial do Cacá no Brasil, não é Bye Bye Brasil (1980)”, disse Renata Almeida Magalhães, viúva do diretor e presidente da Academia Brasileira de Cinema e Artes Visuais. O evento ocupou as ruas cheias de arquitetura barroca com uma seleção de 135 filmes e homenagem a Helena Solberg.
“Ele dizia que os filmes dele sempre tinham a ver com música. Xica da Silva é o filme escola de samba. A ideia do longa veio depois que ele assistiu ao desfile da Salgueiro (do Rio de Janeiro)”, revelou, sobre a inspiração para o longa. “Fiquei muito emocionada quando vi o restauro, tive a sensação de quando assisti pela primeira vez e espero que tenham a mesma alegria”, acrescentou.
A história baseia-se na vida real de Francisca da Silva de Oliveira, uma mulher negra nascida escravizada no século XVIII (por volta de 1732), em Milho Verde, na região do atual município de Diamantina, Minas Gerais. Após ser comprada e alforriada pelo poderoso contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira, ela ascendeu à elite colonial e passou a viver com grande riqueza e status social.
O enredo que conhecemos hoje surgiu da mistura de registros históricos reais com mitos criados no século XIX pelo escritor Joaquim Felício dos Santos, popularizados no século XX por livros e também pela novela da Rede Manchete, de 1996.
O filme levou mais de 3 milhões de espectadores aos cinemas. Foi a primeira produção do cineasta alagoano a ser escolhida para representar o Brasil no Oscar. Além de lançar Zezé Motta, como a própria diz, a obra foi uma peça fundamental para o protagonismo negro no cinema.
O relançamento faz parte da Sessão Vitrine Petrobras e terá exibições em Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Niterói, Palmas, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.