7 filmes que todos deveriam assistir segundo Agnès Varda
Em 2017, Agnès participou da Criterion Closet, indicando sete filmes que considera essenciais,
Para todo amante do cinema, descobrir as inspirações e paixões de grandes cineastas é sempre uma revelação fascinante, mesmo quando os títulos não caem exatamente no nosso gosto. Mas quando a recomendação vem da maior diretora da Nouvelle Vague, a belga Agnès Varda, o momento é de simplesmente sentar e concordar.
Poucos anos antes de sua morte, em 2019, Agnès se tornou a primeira mulher a receber um Oscar Honorário, em 2017, aos 89 anos. Inexplicavelmente, o único Oscar da carreira de uma cineasta que marcou a história do cinema. Ainda mais, em 2018, tornou-se a pessoa mais velha a ser indicada na categoria de Melhor Documentário, com Faces Places. Ela faleceu em 2019, aos 90 anos, vítima de câncer.
Ao longo de mais de seis décadas, Varda criou obras que dialogam constantemente entre documentário e ficção, sempre com um olhar sensível e inovador. A fotografia, em especial, desempenhava um papel central em seus filmes, seja na composição das cenas, no uso de cores ou na captura de detalhes poéticos.
Além disso, deu voz a movimentos importantes nos anos 1960, como as lutas feminista e antirracista. Nessa toada, entre seus trabalhos mais lembrados, destaca-se o curta-documentário Black Panthers (1968), que retrata a resistência do movimento nos Estados Unidos. Entre os filmes mais elogiados estão La Pointe Courte (1955), considerado o marco inicial da Nouvelle Vague; Cléo from 5 to 7 (1962), que acompanha duas horas da vida de uma cantora hipocondríaca, que aguarda o resultado de exames médicos que podem confirmar sua suspeita de câncer; e Faces Places (2017), uma colaboração com o artista JR que mistura documentário e arte para retratar pessoas comuns em vilarejos franceses.
Em 2017, Agnès participou da Criterion Closet, indicando sete filmes que considera essenciais, trazendo não apenas seu olhar de cineasta, mas também suas paixões e preferências como espectadora.
Banda à parte (1964), Jean-Luc Godard
Dirigido por Jean-Luc Godard, este é um clássico da Nouvelle Vague francesa que mistura filme noir, comédia e drama. O filme acompanha Odile, uma jovem delicada e ingênua, que é seduzida por dois ladrões de sua aula de inglês. Ao descobrir a fortuna da tia de Odile, os criminosos elaboram um plano para que ela se apaixone por um deles e, sem perceber, os ajude a roubar a mansão familiar.
O Casamento de Maria Braun (1979), Rainer Werner Fassbinder
O filme acompanha a trajetória de Maria Braun, que se casa com o soldado Hermann Braun durante a Segunda Guerra Mundial. Separada do marido por anos devido ao conflito, Maria luta para sobreviver em uma Alemanha devastada pelo pós-guerra. Para sustentar a si mesma, ela se torna trabalhadora sexual, amante de um industrial rico e, eventualmente, uma mulher de negócios implacável, mantendo ao mesmo tempo sua lealdade a Hermann.
Gosto de Cereja (1987), Abbas Kiarostami
Drama minimalista iraniano que acompanha Badii, um homem de meia-idade em Teerã que decide cometer suicídio e procura alguém disposto a enterrá-lo após sua morte. Ao longo do dia, ele conversa com três homens diferentes — um soldado, um seminarista e um taxidermista chamado Bagheri — oferecendo dinheiro para que o ajudem. Enquanto alguns recusam, Bagheri aceita e tenta convencer Badii a valorizar a vida, compartilhando sua própria experiência de quase suicídio e as pequenas belezas do mundo que o fizeram escolher viver.
Sweetie (1989), Jane Campion
Comédia dramática australiana dirigida por Campion, em seu primeiro longa-metragem, que narra a vida de uma família disfuncional. O filme gira em torno de Sweetie, uma mulher jovem, instável e muitas vezes delirante, e sua irmã mais velha, Kay, séria e supersticiosa. Entre os conflitos familiares, Sweetie retorna para casa com seu amante problemático, causando tensão e caos na dinâmica familiar, enquanto os pais lutam para lidar com seu comportamento imprevisível.
Um anjo em minha mesa (1990), Jane Campion
Aqui, mais uma confirmação de que Agnès realmente amava Jane Campion. O longa acompanha a vida da escritora neozelandesa Janet Frame, desde sua infância marcada por perdas familiares e dificuldades emocionais até sua ascensão como autora renomada. O filme retrata sua trajetória de isolamento, internações psiquiátricas equivocadas e descobertas literárias, mostrando como Janet transforma a dor e os desafios pessoais em inspiração criativa.
A promessa (1996), Luc Dardenne e Jean-Pierre Dardenne
Dirigida pelos irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne, a obra acompanha Igor, um adolescente de quinze anos que trabalha como aprendiz de mecânico e ajuda o pai, Roger, em sua exploração de imigrantes ilegais. Quando um trabalhador é gravemente ferido no trabalho e abandonado, Igor se vê tomado pela culpa. Diante da situação, ele precisa decidir entre seguir o caminho implacável do pai ou cumprir a promessa que fez ao moribundo, confrontando ética, responsabilidade e consciência em um drama intenso e realista.
Móveis Minúsculos (2010), Lena Dunham
Escrito, dirigido e estrelado por Lena Dunham (a mesma criadora da série Girls), é uma comédia dramática que acompanha Aura, uma jovem recém-formada em cinema, perdida e sem rumo, que retorna para o loft de sua mãe em Tribeca enquanto tenta se reorganizar. Entre ciúmes da irmã mais nova, tentativas frustradas de romance e pequenas frustrações cotidianas, Aura navega pela transição da juventude para a vida adulta, lidando com a insegurança, relações familiares e descobertas pessoais.