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Vivian Caccuri se inspira no raro mosquito azul para obras inéditas em cartaz no CCBB-SP

“O mosquito nos lembra que a natureza não pode ser totalmente domada”, diz a artista em entrevista à Bravo!

Por Ana Mércia Brandão 1 Maio 2026, 11h07 | Atualizado em 1 Maio 2026, 11h10
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Mosquito-azul em 'Pele Azul', obra-título da exposição de Vivian Caccuri no CCBB (Vivian Caccuri/divulgação)
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A nova exposição de Vivian Caccuri, Pele Azul, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em São Paulo, é resultado de um encontro que ela teve há oito anos. Foi em 2018 que a artista conheceu o raro mosquito Sabethes albiprivus, mais conhecido como mosquito azul, uma espécie em risco de extinção que inspirou as quatro obras – três delas, inéditas – apresentadas na mostra.

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Vivian Caccuri (Bossa/divulgação)

Após ver imagens do mosquito azul, ela passou sete anos tentando encontrá-lo ao vivo. “Essa espécie existe há entre 30 e 70 milhões de anos, um arco temporal muito maior que a existência do ser humano. O curioso é que esse pequeno ser é praticamente invisível para nós, já que só pode ser encontrado em florestas tropicais bastante densas e no alto das copas das árvores”,  explica.

O encontro ao vivo finalmente aconteceu há dois anos, no Laboratório de Transmissores de Hematozoários da Fiocruz, no Rio de Janeiro. Com a ajuda de Beto Amaral e Julia Borges Araña, Vivian gravou esses seres em detalhe e o material deu origem à videoinstalação que dá nome à exposição, Pele Azul (2026). “Essa problematização do olhar, do que é visível, do que é belo ou legível, foi o que me atraiu. O mosquito azul me parece um ‘outro’ bastante extremo por estar tão longe do olhar”, diz.

Nessa ocasião, a artista registrou os sons do mosquito azul pela primeira vez. Com uma pesquisa de quase duas décadas centrada na arte sonora, era inevitável que esses registros não se tornassem, também, obras de arte, o que aconteceu em Gatonet (Nuvem) (2026). A instalação sonora é composta de 120 caixas de concreto de som, a maioria aparelhada com cabos de áudio e alto-falantes 100% artesanais produzidos em São Paulo. Ela diz que a ideia é provocar uma sensação de “perda de controle” no visitante.

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Instalação ‘Gatonet (Nuvem)’ (@ruido_cc/divulgação)

Além da cenografia de cabos montada com Thiago Lanis, Vivian desenvolveu um sistema que auto-reorganiza os sons do mosquito azul ao longo do tempo, de modo que o visitante não escuta o som da mesma forma duas vezes. 

Ela explica: “O som cru é naturalmente frágil, por conta da diferença da escala do som do mosquito em relação à potência que os microfones tendem a gravar. Mesmo assim, achei o som fascinante. Tive muitos desafios para que esse som se tornasse mais presente e dinâmico, foram muitas edições e tentativas de masterização com técnicas diferentes. Depois dessa etapa, desenhei um sistema de escultura sonora que simula um pouco da dinâmica do zumbido de mosquito: 1) a trajetória do zumbido nunca é previsível ou caminha em linha reta, 2) por vezes parece uma espécie de lamento ou coral e 3) adquire uma estranha velocidade quando se trata de uma nuvem”.

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‘Lexapro II’ (@ruido_cc/divulgação)

Com curadoria de Bernardo José de Souza, a exposição tem ainda os bordados Lexapro II (2022) e Lexapro III (2026). Produzidos com tela mosquiteira, algodão, poliéster, betume e tinta acrílica, são obras que incorporam materiais associados à proteção contra insetos como suporte e superfície. “O mosquito nos lembra que a natureza não pode ser totalmente domada”, reflete Vivian.

Paulistana, a artista vive há dezoito anos no Rio de Janeiro. Formada em Artes Plásticas pela Unesp, Vivian é mestre em Estudos do Som Musical, pela Universidade de Princeton (EUA) e a UFRJ. Realizou exposições individuais em instituições como o New Museum, em Nova York , em 2022; participou da 32ª Bienal de São Paulo, em 2016; e realizou uma performance na 58ª Bienal de Veneza, em 2019.

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Serviço

Vivian Caccuri – Pele Azul

Até 3 de agosto

Espaço Anexo do CCBB | Rua Álvares Penteado, 112, centro, São Paulo – SP

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Quarta a segunda, das 9h às 20h. Fechado às terças

Ingresso: Grátis

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