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Trabalho neoconcreto de Ferreira Gullar compõe mostra no interior de São Paulo

‘O Espaço e o Lugar’, na Dan Galeria Interior, reúne 75 obras de artistas ligados ao concretismo brasileiro em diálogo com nomes contemporâneos

Por Ana Mércia Brandão 14 jul 2026, 18h45
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Parte de 'Poemas Espaciais', de Ferreira Gullar (João Cazzaniga/divulgação)
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Poeta, escritor, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro, reconhecido como um dos principais e mais importantes poetas brasileiros da segunda metade do século XX, Ferreira Gullar (1930-2016) foi também um dos responsáveis pela transição do concretismo para o neoconcretismo no Brasil no campo das artes plásticas.

É dele o Manifesto Neoconcreto, que sugeriu uma reinterpretação da arte geométrica. Suas ideias são vistas nos poemas visuais de Gullar, como os Poemas Espaciais, um conjunto de nove peças em pintura sobre madeira. A obra se constrói na relação entre estrutura e leitura no tempo, em que cada peça propõe uma situação que articula superfície, gesto e percepção.

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Vista da exposição (João Cazzaniga/divulgação)

Esse trabalho está em cartaz e norteia a exposição O Espaço e o Lugar, na Dan Galeria Interior, em Votorantim (SP). Ao todo, são 75 obras, de Gullar e artistas ligados ao concretismo brasileiro, em diálogo com nomes contemporâneos. A seleção inclui nomes como Adolfo Estrada, Almir Mavignier, Dionísio Del Santo, Ferreira Gullar, Gonçalo Ivo, José Roberto Aguilar, José Spaniol, Sergio Fingerman e Valentino Fialdini.

O percurso articula pinturas, objetos, obras geométricas e abstratas em torno de uma pergunta central: como uma situação privada pode conter uma ideia de mundo? A mostra propõe uma leitura sobre a maneira como o espaço se transforma em lugar quando passa pelo corpo e pela memória.

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O símbolo da cadeira está presente em muitos dos trabalhos em cartaz. Ela representa objeto cotidiano, medida humana, ponto de repouso, marca de intimidade e também abertura para uma dimensão mais ampla, ligada ao tempo e ao espaço. Na obra de José Roberto Aguilar, a cadeira de Van Gogh aparece deslocada dentro da pintura. 

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‘O Espaço da Pintura’ (2023), de Sergio Fingermann (Divulgação/divulgação)

O maior conjunto da exposição é de Dionísio Del Santo, com cerca de 30 obras, em diálogo com trabalhos de Almir Mavignier, nos quais a imagem se organiza como uma constelação. Em Gonçalo Ivo, a cor sustenta a pintura. Sergio Fingerman trabalha com uma imagem em constante instabilidade. José Spaniol desloca a cadeira para o campo simbólico, alterando sua percepção como objeto cotidiano e inserindo-a em uma dimensão de movimento. Adolfo Estrada e Valentino Fialdini aproximam a geometria de uma condição aberta, sem fechamento definitivo. A continuidade entre interior e exterior atravessa esse conjunto. 

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A curadoria é de curadoria de Fábio Magalhães e expografia do Fernando Poles Arquitetos. O escritório foi convidado a desenvolver uma leitura arquitetônica que participa da definição do conjunto. Um túnel atravessa o espaço da galeria e conecta dois momentos da mostra.

Serviço 

O espaço e o lugar 

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Até 10 de outubro de 2026 

Dan Galeria Interior | Avenida Ireno da Silva Venâncio, 199, Galpão 20 – Protestantes, Votorantim, SP 

Segunda a sexta, das 10h às 18h; sábados, das 10h às 13h. Fechado aos domingos

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Ingresso: Gratuito

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