Itaú Cultural anuncia centro cultural de 19 andares na Paulista; veja detalhes do projeto
Construção terá seis andares expositivos, teatro e restaurante; inauguração está prevista para 2031
A Avenida Paulista ganhará mais um ponto dedicado às artes em seu já disputado corredor cultural. Em um terreno vazio ao lado da Fiesp, quase em frente à estação Trianon-Masp, o Itaú Cultural anunciou a construção de sua nova unidade, um edifício de 19 andares que deverá ampliar significativamente a escala de atuação da instituição a partir de 2031.
Após quase três décadas ocupando o número 149 da Paulista, o Itaú Cultural reconhece que o prédio atual chegou ao limite de sua capacidade. “Vimos a demanda por arte subir muito, principalmente depois da pandemia”, diz Alfredo Setúbal, CEO da Itaúsa, apontando que o prédio atual do Itaú Cultural recebeu 500 000 visitantes em 2025. Segundo ele, a estrutura atual não foi projetada para absorver um fluxo tão intenso de público, com limitações que vão da quantidade de banheiros à capacidade dos elevadores.
A nova sede foi concebida justamente para responder a essas limitações. Espaço é o que não faltará no edifício de 19 andares projetado pelo Estúdio Módulo. “A gente buscou criar espaços mais generosos, que possam acolher melhor o público”, explica Marcus Vinícius Damon, do escritório de arquitetura.
O destino da sede atual ainda não foi definido. “Vamos sentir a demanda ao longo do tempo”, afirma Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú.
O novo edifício foi concebido como um centro cultural vertical. Erguido em um terreno de pouco mais de 1.000 metros quadrados, adquirido pelo Itaú em 2025 por R$ 49 milhões, o projeto terá 19 andares — 11 acima do nível da rua e oito no subsolo — distribuídos em mais de 12 mil metros quadrados de área construída. O coração da nova sede estará nos seis pavimentos dedicados às exposições. Um deles receberá as mostras da série Ocupação Itaú Cultural, enquanto outros dois serão reservados a exposições temporárias, com pé-direito de seis metros para acomodar obras de grande porte. Haverá ainda espaços destinados a mostras de longa duração, incluindo parte da coleção Brasiliana Itaú.
Nos subsolos ficarão concentrados os espaços de convivência e programação. O projeto prevê um teatro com capacidade para mais de 400 espectadores e palco adaptável a diferentes configurações cênicas, além de um auditório para 104 pessoas. Um restaurante-café e uma loja de produtos culturais também integrarão o complexo.
O projeto também prevê um térreo aberto e integrado à Avenida Paulista, sem catracas ou recepção. “Queremos criar uma situação em que a pessoa perca a vergonha de entrar“, afirma Damon. A conexão com a rua é reforçada pelo piso de pedra portuguesa, em referência à antiga calçada histórica da avenida.
Na fachada lateral, haverá um sistema de brises brancos sobrepostos a painéis coloridos inspirados no concretismo brasileiro. O efeito visual foi pensado para criar uma sensação de movimento conforme o observador percorre a avenida, transformando o prédio em uma espécie de obra cinética em escala urbana.
Confira imagens do projeto: