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James Joyce e Moacir Santos: o que ver, ouvir e ler nos próximos dias

Uma curadoria dos eventos que movimentam o eixo cultural do país

Por Luana Machado 3 jul 2026, 18h45
Capa do livro Um retrato do artista quando jovem de James Joyce. A ilustração mostra um homem de costas caminhando em uma paisagem árida, com montanhas ao fundo e um céu azul com nuvens brancas. A paleta de cores é predominantemente azul, cinza e amarelo
 (Antofágica/divulgação)
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A agenda cultural do país neste início de julho desenha um mapa de homenagens e resgates históricos, o final de semana convida a um mergulho profundo na identidade e na fricção artística.

São Paulo: O Masp como Epicentro da Voz Latino-Americana

O Museu de Arte de São Paulo (Masp) consolida seu papel de provocador ao abrir espaço para uma tríade de artistas que investigam as complexidades, dores e ritos da América Latina. O museu se transforma em um território de confluências estéticas que desafiam fronteiras coloniais.

A colombiana Carolina Caycedo ganha sua primeira mostra individual, Confluências, que tensiona a relação entre corpos, rios e a sobrevivência de comunidades tradicionais. O grande destaque do sábado (4), às 15h, é a performance Atarraya.

No Vão Livre, a venezuelana Sol Calero ergue a instalação Casa María Lionza, misturando arquitetura vernacular e sincretismo religioso. Enquanto isso, a Sala de Vídeo recebe a crueza e a urgência de Deportada (Todo lo que Perdí), da guatemalteca Regina José Galindo, expoente da performance que lida com o trauma social e a violência de Estado.

Masp: Av. Paulista, 1578. Sexta (3), das 10h às 21h (grátis das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h. Ingressos a R$ 85,00.

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Rio de Janeiro: Centenário de Moacir Santos

Cem anos se passaram desde o nascimento do maestro e arranjador Moacir Santos (1926-2006). No Rio, o saxofonista Esdras Nogueira e o guitarrista Marcus Moraes sobem ao palco da Casa Museu Eva Klabin para uma apresentação única. No repertório, a dupla revisita as texturas e os arranjos complexos de clássicos como “Nanã”, “Coisa nº 1” e “Maracatu Nação do Amor”. É uma oportunidade rara de testemunhar o frescor contemporâneo da obra de Moacir.

Concertos de Eva: Casa Museu Eva Klabin. Sábado (4), às 17h. Ingressos a R$ 60,00.

Salvador: o Tambor que Ecoa no Pelô

O Pelourinho sedia a primeira edição do NZO OLORIN – Festival Nacional de Música de Terreiro. Entre oficinas e apresentações que ocupam o centro histórico, o festival celebra o cancioneiro sagrado que moldou a música popular do país, devolvendo ao espaço público o protagonismo dos terreiros.

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NZO OLORIN: Pelourinho. Sexta (3), a partir das 16h30. Entrada gratuita.

Lançamentos: Os Dilemas do Indivíduo, de Kafka a Joyce

No terreno dos lançamentos, a semana é marcada pelo retorno a dois gigantes da literatura do século XX que dissecaram a alienação e a formação da identidade.

Chega aos cinemas de todo o país a cinebiografia de Franz Kafka. O filme mergulha na relação opressiva com seu pai e os lampejos criativos que deram origem às suas primeiras obras.

Para os amantes dos clássicos, a editora Antofágica lança uma nova tradução de Um Retrato de Um Artista Quando Jovem (368 págs., R$ 64,95). O romance de estreia de James Joyce, fortemente autobiográfico, acompanha o amadurecimento espiritual e estético do jovem Stephen Dedalus contra as amarras da religião e da pátria .

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