Cinco práticas artísticas para quem busca uma pausa das telas
Reunimos algumas atividades em São Paulo que podem despertar novas paixões e aproximar do universo das artes
Chega um momento da vida em que a rotina se torna tão atribulada que perdemos as chances — e às vezes até o gosto — de descobrir coisas novas. O velho e bom hobby. Talvez, se alguém te perguntar qual é o seu, a resposta não venha com tanta facilidade. E isso é uma pena. Mas nunca existe um momento certo para aprender e desenvolver novos talentos, mesmo que de forma despretensiosa. Eles podem cumprir uma função simples: o prazer de aprender algo novo, de se desligar do trabalho e do mundo digital, ou até de atravessar uma tristeza que parece não ter fim.
Pensando nisso, reunimos algumas atividades em São Paulo que podem despertar novas paixões e, quem sabe, até render novas amizades.
Sopro em cana: como moldar o vidro
O curso introdutório de sopro e modelagem em vidro oferece um primeiro mergulho nesse ofício raro. Ao longo de 10 horas, os participantes aprendem a lidar com o material incandescente, moldar formas básicas e experimentar processos de criação com os 10 kg de vidro incluídos no programa. A etapa final é dedicada ao acabamento e à produção de uma peça autoral. Depois de concluir o curso, o aluno pode seguir utilizando o ateliê como residente, pagando apenas pelo vidro consumido.
Onde: Espaço Zero (Rua Monsenhor Alberto Pequeno, 300 – Pacaembu)
Cerâmica
Para quem deseja se iniciar na cerâmica ou aprofundar o contato com a argila, o curso intensivo de modelagem manual oferece uma semana inteira dedicada ao aprendizado. Cada aula apresenta uma técnica — acordelado, belisco, placa — e dá espaço para que as peças se desenvolvam de maneira progressiva. O acabamento explora texturas, incisões e recursos como carving e sgraffito. Na aula final, o aluno escolhe as cores e o estilo de esmaltação. A queima fica a cargo do ateliê e, cerca de 40 dias depois, as peças retornam prontas para serem retiradas.
Onde: Escola Olive (R. Dona Germaine Burchard, 239 – Água Branca)
Aprender a pintar
Na zona norte de São Paulo, a Cozinha da Pintura mantém vivo um conhecimento raro: o ofício antigo de preparar tudo o que antecede a pincelada — pigmentos, emulsões, vernizes, suportes. Antes das lojas especializadas, era assim que artistas trabalhavam, misturando técnica e experimentação na chamada “cozinha da pintura”. O ateliê recupera esse espírito e se tornou referência no ensino de técnicas clássicas. Iniciou com um curso dedicado aos Velhos Mestres e ampliou a formação para desenho, pintura contemporânea e orientação conceitual, nos formatos presencial e online. A proposta é direta: dominar a técnica antes de buscar estilo, utilizando reproduções históricas e processos tradicionais como base de estudo.
Onde: Cozinha da Pintura (R. Banco das Palmas, 225 – Santana)
Marcenaria
Na marcenaria, cada móvel começa antes do corte: nasce no esboço, na escolha do material, no gesto que transforma ideia em objeto. É esse percurso — do projeto à construção — que um ateliê especializado em São Paulo propõe revisitar, convidando iniciantes a experimentar a prática como os antigos artesãos: de forma autoral, manual e consciente. Com 60 horas de duração e encontros semanais ao longo de quatro meses, o curso é pensado para quem nunca encostou numa tupia, mas deseja projetar e construir seu próprio móvel. A proposta é formar autonomia: criar uma ponte sólida entre o pensamento e o fazer. Ao final, o aluno leva para casa o móvel que construiu e pode se tornar residente do espaço, usando a oficina como coworking de marcenaria para futuras criações.
Onde: Oficinalab (Rua Cruzeiro, 802 – Barra Funda)
Joalheria
Na joalheria artesanal, tudo começa antes do brilho: no metal bruto, nas ferramentas básicas, nos primeiros cortes e soldas que moldam o gesto do ourives. É esse contato direto com a prática que estrutura o curso regular, pensado para quem quer aprender o ofício — seja por profissão, curiosidade ou desejo de criar suas próprias peças. A formação parte do princípio de que a técnica nasce da repetição e da experimentação. Por isso, desde o início o aluno aprende a moldar, serrar, lixar, soldar e dar acabamento, desenvolvendo peças próprias a partir de exercícios guiados. A proposta privilegia o processo: quanto mais íntimo o contato com o material, mais claro se torna o funcionamento da joia.
Onde: Ateliê Labriola – Escola de Ourives (Rua Francisco Dias Velho, 180 – Brooklin)