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As principais exposições do calendário de arte de 2026

A programação reúne mostras de fôlego, celebra marcos institucionais e confirma a centralidade da arte latino-americana no debate contemporâneo

Por Redação Bravo!
17 jan 2026, 09h00 • Atualizado em 27 jan 2026, 13h11
Damián Ortega. Controller of the Universe.
Damián Ortega. Controller of the Universe. (MASP/reprodução)
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  • Neste ano, o calendário de programação cultural será especialmente intenso no circuito de artes visuais. Museus e instituições de referência apostam em programas que revisitam histórias, tensionam discursos e propõem novas leituras sobre identidade, território e política. Do MASP ao Inhotim, passando pelo Instituto Tomie Ohtake, a programação reúne mostras de fôlego, celebra marcos institucionais e confirma a centralidade da arte latino-americana no debate contemporâneo.

    Histórias Latino-Americanas no MASP

    Claudia Alarcón & Silät, Chelchup — Otoño, 2023. Acervo MASP
    Claudia Alarcón & Silät, Chelchup — Otoño (2023). Coleção MASP. (MASP/reprodução)

    Em 2026, o MASP dedica sua programação às Histórias latino-americanas. a proposta é discutir a América Latina como uma identidade em disputa, formada por atravessamentos históricos, culturais e políticos. 

    Entre os destaques estão exposições monográficas de artistas fundamentais da cena latino-americana. A peruana Sandra Gamarra Heshiki ganha sua primeira panorâmica, com obras que questionam narrativas museológicas e heranças coloniais. A argentina La Chola Poblete estreia no Brasil com trabalhos inéditos que abordam identidade chola, corpo e dissidência. Já Claudia Alarcón e o coletivo indígena Silät apresentam obras têxteis baseadas em saberes ancestrais do povo Wichí, enquanto o peruano Santiago Yahuarcani reúne pinturas ligadas à memória, à cosmologia e à história de violência na Amazônia.

    A programação inclui ainda exposições dedicadas ao chileno Colectivo Acciones de Arte (CADA), referência nas articulações entre arte e política durante a ditadura; ao mexicano Damián Ortega, em sua primeira individual em um museu paulistano; e à colombiana Carolina Caycedo, com trabalhos que dialogam com territórios, rios e formas de resistência coletiva. No Vão Livre, a venezuelana Sol Calero apresenta uma instalação imersiva que mistura arquitetura, pintura e referências culturais latino-americanas.

    O ponto central do ano é a exposição coletiva Histórias latino-americanas, em cartaz a partir de setembro, que ocupa cinco andares do edifício Pietro Maria Bardi. Organizada em núcleos temáticos, a mostra revisita processos de colonização, extrativismo, migrações, formas comunitárias de organização e imagina futuros possíveis a partir de cosmovisões indígenas e afrodescendentes.

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    O calendário se estende até o fim do ano com exposições de Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Jesús Soto e mostras dedicadas ao cinema e às artes visuais, além da programação contínua da sala de vídeo. 

    20 anos de Inhotim

    Dalton Paula- arte
    Dalton Paula (Jhony Aguiar/divulgação)

    Em 2026, o Inhotim celebra seus 20 anos com uma programação marcada por oito inaugurações e exposições que revisitam a história do museu e apontam para seus próximos caminhos. O ponto alto do calendário será a exposição comemorativa dos 20 anos, inaugurada em 12 de setembro, no Centro de Educação e Cultura Burle Marx. Com abordagem imersiva e baseada em ampla pesquisa documental, a mostra reúne personagens, paisagens e episódios fundamentais da trajetória do museu em Brumadinho, propondo também um olhar sobre o futuro da instituição.

    Ao longo do ano, o museu apresenta exposições individuais e projetos comissionados que articulam memória, território e experimentação contemporânea. A programação começa em fevereiro com O Barco – Ato III (2026), de Grada Kilomba, que encerra o ciclo iniciado em 2024, e com Esconjuro – Verão (2026), de Paulo Nazareth, última etapa de uma série dedicada à espiritualidade e à ancestralidade afro-brasileira.

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    Em abril, três novas exposições entram em cartaz: uma mostra panorâmica de Dalton Paula, reunindo obras inéditas e trabalhos emblemáticos; a escultura monumental Contraplano (2025), de Lais Myrrha, criada especialmente para o parque; e uma instalação inédita de davi de jesus do nascimento, apresentada na Galeria Nascente, recém-reformada.

    O segundo semestre inclui ainda a requalificação da Galeria Cildo Meireles, que passa a abrigar Missão/Missões (Como construir catedrais) (1987), consolidando um dos conjuntos mais importantes do artista em exibição permanente. Em outubro, o Inhotim recebe novamente The Murder of Crows (2009), de Janet Cardiff & George Bures Miller, uma de suas instalações sonoras mais populares.

    25 anos do Instituto Tomie Ohtake

    Sheila Hicks, Bâtons de parole (2024–presente). Fibra sintética, algodão e bambu
    Sheila Hicks, Bâtons de parole (2024–presente). Fibra sintética, algodão e bambu (Flavio Freire/Cortesia da Galeria Nara Roesler/divulgação)

    Em 2026, o Instituto Tomie Ohtake também celebra um marco especial: os seus 25 anos. Ao longo do ano, o calendário reúne exposições individuais e coletivas, parcerias institucionais, projetos itinerantes e lançamentos editoriais.

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    A agenda se inicia com a circulação internacional de A terra, o fogo, a água e os ventos – Por um museu da errância com Édouard Glissant, em cartaz atualmente no Instituto, que segue em itinerância e chega a Nova York, marcando a primeira exposição nos Estados Unidos dedicada à coleção pessoal do pensador martinicano. Em São Paulo, a programação expositiva começa em março com Etcetera – Isay Weinfeld: 50 anos de carreira, panorama da trajetória do arquiteto paulistano, seguida pela primeira individual institucional do artista Allan Weber na capital.

    No segundo semestre, o Instituto aprofunda o diálogo entre arte, ciência e meio ambiente com Um rio não existe sozinho, mostra concebida em Belém durante a COP30 e apresentada em São Paulo a partir de junho. Ainda nesse período, uma parceria com a CAIXA Cultural leva ao Rio de Janeiro uma exposição que aproxima as pinturas de Tomie Ohtake e Alice Shintani, explorando cor, espaço e afinidades formais entre as duas artistas nipo-brasileiras.

    Entre julho e outubro, o Instituto recebe a artista norte-americana Sheila Hicks, referência internacional na arte têxtil, com uma exposição dedicada às suas investigações entre fibra, cor e escultura. O encerramento do ano acontece em novembro, data de nascimento de Tomie Ohtake, com uma grande exposição dedicada à sua obra, acompanhada do lançamento de um livro, além de uma mostra individual de Leiko Ikemura.

    Pascale Marthine Tayou na Pinacoteca

    Obra de Pascale Marthine Tayou
    Obra de Pascale Marthine Tayou (Pinacoteca/divulgação)
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    Neste ano, a Pinacoteca de São Paulo divulgou terá 16 mostras distribuídas entre seus três edifícios (Pina Luz, Pina Estação e Pina Contemporânea). O calendário combina nomes centrais da arte moderna e contemporânea, projetos inéditos no país e uma exposição dedicada ao público infantil.

    Um dos principais destaques do primeiro semestre é Nocaute, primeira individual institucional no Brasil do artista camaronês Pascale Marthine Tayou, em cartaz a partir de março na Pina Luz. A mostra percorre diferentes momentos de sua trajetória e reúne também obras produzidas especialmente para a ocasião. No mesmo edifício, o Octógono recebe uma grande instalação inédita de Cristina Salgado, enquanto o pintor autodidata Pedro Paulo Leal ganha sua primeira individual no museu.

    Na Pina Estação, a exposição Macunaíma é Duwid, com curadoria do artista e ativista indígena Gustavo Caboco, propõe uma releitura do personagem de Mário de Andrade a partir de perspectivas indígenas. Ainda no primeiro semestre, uma sala especial apresenta a produção gráfica de Beatriz Milhazes, resultado de mais de duas décadas de colaboração com a Durham Press, em Nova York, recentemente incorporada ao acervo do museu. A Pina Contemporânea recebe, no mesmo período, uma individual de Alice Yura e o projeto Para Crianças, iniciativa internacional que coloca a infância no centro da experiência artística.

    Alice Yura
    Alice Yura (Pinacoteca/divulgação)
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    No segundo semestre, a programação ganha fôlego com uma retrospectiva inédita de Nam June Paik, pioneiro da videoarte, apresentada na Pina Contemporânea em parceria com o Nam June Paik Art Center. Em diálogo com a mostra, artistas contemporâneas foram convidadas a criar novos trabalhos. Já a Pina Luz dedica uma ampla exposição a Ismael Nery, revisitando sua produção poética e filosófica, enquanto o Octógono recebe uma instalação de Luana Vitra. A Pina Estação encerra o ano com uma mostra panorâmica de Sara Ramo, reunindo diferentes fases de sua trajetória.

    Este texto será atualizado com mais informações em breve.

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