As principais exposições do calendário de arte de 2026
A programação reúne mostras de fôlego, celebra marcos institucionais e confirma a centralidade da arte latino-americana no debate contemporâneo
Neste ano, o calendário de programação cultural será especialmente intenso no circuito de artes visuais. Museus e instituições de referência apostam em programas que revisitam histórias, tensionam discursos e propõem novas leituras sobre identidade, território e política. Do MASP ao Inhotim, passando pelo Instituto Tomie Ohtake, a programação reúne mostras de fôlego, celebra marcos institucionais e confirma a centralidade da arte latino-americana no debate contemporâneo.
Histórias Latino-Americanas no MASP
Em 2026, o MASP dedica sua programação às Histórias latino-americanas. a proposta é discutir a América Latina como uma identidade em disputa, formada por atravessamentos históricos, culturais e políticos.
Entre os destaques estão exposições monográficas de artistas fundamentais da cena latino-americana. A peruana Sandra Gamarra Heshiki ganha sua primeira panorâmica, com obras que questionam narrativas museológicas e heranças coloniais. A argentina La Chola Poblete estreia no Brasil com trabalhos inéditos que abordam identidade chola, corpo e dissidência. Já Claudia Alarcón e o coletivo indígena Silät apresentam obras têxteis baseadas em saberes ancestrais do povo Wichí, enquanto o peruano Santiago Yahuarcani reúne pinturas ligadas à memória, à cosmologia e à história de violência na Amazônia.
A programação inclui ainda exposições dedicadas ao chileno Colectivo Acciones de Arte (CADA), referência nas articulações entre arte e política durante a ditadura; ao mexicano Damián Ortega, em sua primeira individual em um museu paulistano; e à colombiana Carolina Caycedo, com trabalhos que dialogam com territórios, rios e formas de resistência coletiva. No Vão Livre, a venezuelana Sol Calero apresenta uma instalação imersiva que mistura arquitetura, pintura e referências culturais latino-americanas.
O ponto central do ano é a exposição coletiva Histórias latino-americanas, em cartaz a partir de setembro, que ocupa cinco andares do edifício Pietro Maria Bardi. Organizada em núcleos temáticos, a mostra revisita processos de colonização, extrativismo, migrações, formas comunitárias de organização e imagina futuros possíveis a partir de cosmovisões indígenas e afrodescendentes.
O calendário se estende até o fim do ano com exposições de Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Jesús Soto e mostras dedicadas ao cinema e às artes visuais, além da programação contínua da sala de vídeo.
20 anos de Inhotim
Em 2026, o Inhotim celebra seus 20 anos com uma programação marcada por oito inaugurações e exposições que revisitam a história do museu e apontam para seus próximos caminhos. O ponto alto do calendário será a exposição comemorativa dos 20 anos, inaugurada em 12 de setembro, no Centro de Educação e Cultura Burle Marx. Com abordagem imersiva e baseada em ampla pesquisa documental, a mostra reúne personagens, paisagens e episódios fundamentais da trajetória do museu em Brumadinho, propondo também um olhar sobre o futuro da instituição.
Ao longo do ano, o museu apresenta exposições individuais e projetos comissionados que articulam memória, território e experimentação contemporânea. A programação começa em fevereiro com O Barco – Ato III (2026), de Grada Kilomba, que encerra o ciclo iniciado em 2024, e com Esconjuro – Verão (2026), de Paulo Nazareth, última etapa de uma série dedicada à espiritualidade e à ancestralidade afro-brasileira.
Em abril, três novas exposições entram em cartaz: uma mostra panorâmica de Dalton Paula, reunindo obras inéditas e trabalhos emblemáticos; a escultura monumental Contraplano (2025), de Lais Myrrha, criada especialmente para o parque; e uma instalação inédita de davi de jesus do nascimento, apresentada na Galeria Nascente, recém-reformada.
O segundo semestre inclui ainda a requalificação da Galeria Cildo Meireles, que passa a abrigar Missão/Missões (Como construir catedrais) (1987), consolidando um dos conjuntos mais importantes do artista em exibição permanente. Em outubro, o Inhotim recebe novamente The Murder of Crows (2009), de Janet Cardiff & George Bures Miller, uma de suas instalações sonoras mais populares.
25 anos do Instituto Tomie Ohtake
Em 2026, o Instituto Tomie Ohtake também celebra um marco especial: os seus 25 anos. Ao longo do ano, o calendário reúne exposições individuais e coletivas, parcerias institucionais, projetos itinerantes e lançamentos editoriais.
A agenda se inicia com a circulação internacional de A terra, o fogo, a água e os ventos – Por um museu da errância com Édouard Glissant, em cartaz atualmente no Instituto, que segue em itinerância e chega a Nova York, marcando a primeira exposição nos Estados Unidos dedicada à coleção pessoal do pensador martinicano. Em São Paulo, a programação expositiva começa em março com Etcetera – Isay Weinfeld: 50 anos de carreira, panorama da trajetória do arquiteto paulistano, seguida pela primeira individual institucional do artista Allan Weber na capital.
No segundo semestre, o Instituto aprofunda o diálogo entre arte, ciência e meio ambiente com Um rio não existe sozinho, mostra concebida em Belém durante a COP30 e apresentada em São Paulo a partir de junho. Ainda nesse período, uma parceria com a CAIXA Cultural leva ao Rio de Janeiro uma exposição que aproxima as pinturas de Tomie Ohtake e Alice Shintani, explorando cor, espaço e afinidades formais entre as duas artistas nipo-brasileiras.
Entre julho e outubro, o Instituto recebe a artista norte-americana Sheila Hicks, referência internacional na arte têxtil, com uma exposição dedicada às suas investigações entre fibra, cor e escultura. O encerramento do ano acontece em novembro, data de nascimento de Tomie Ohtake, com uma grande exposição dedicada à sua obra, acompanhada do lançamento de um livro, além de uma mostra individual de Leiko Ikemura.
Pascale Marthine Tayou na Pinacoteca
Neste ano, a Pinacoteca de São Paulo divulgou terá 16 mostras distribuídas entre seus três edifícios (Pina Luz, Pina Estação e Pina Contemporânea). O calendário combina nomes centrais da arte moderna e contemporânea, projetos inéditos no país e uma exposição dedicada ao público infantil.
Um dos principais destaques do primeiro semestre é Nocaute, primeira individual institucional no Brasil do artista camaronês Pascale Marthine Tayou, em cartaz a partir de março na Pina Luz. A mostra percorre diferentes momentos de sua trajetória e reúne também obras produzidas especialmente para a ocasião. No mesmo edifício, o Octógono recebe uma grande instalação inédita de Cristina Salgado, enquanto o pintor autodidata Pedro Paulo Leal ganha sua primeira individual no museu.
Na Pina Estação, a exposição Macunaíma é Duwid, com curadoria do artista e ativista indígena Gustavo Caboco, propõe uma releitura do personagem de Mário de Andrade a partir de perspectivas indígenas. Ainda no primeiro semestre, uma sala especial apresenta a produção gráfica de Beatriz Milhazes, resultado de mais de duas décadas de colaboração com a Durham Press, em Nova York, recentemente incorporada ao acervo do museu. A Pina Contemporânea recebe, no mesmo período, uma individual de Alice Yura e o projeto Para Crianças, iniciativa internacional que coloca a infância no centro da experiência artística.
No segundo semestre, a programação ganha fôlego com uma retrospectiva inédita de Nam June Paik, pioneiro da videoarte, apresentada na Pina Contemporânea em parceria com o Nam June Paik Art Center. Em diálogo com a mostra, artistas contemporâneas foram convidadas a criar novos trabalhos. Já a Pina Luz dedica uma ampla exposição a Ismael Nery, revisitando sua produção poética e filosófica, enquanto o Octógono recebe uma instalação de Luana Vitra. A Pina Estação encerra o ano com uma mostra panorâmica de Sara Ramo, reunindo diferentes fases de sua trajetória.
Este texto será atualizado com mais informações em breve.