Armando Babaioff encontrou o seu propósito no teatro
O ator está em cartaz com ‘Tom na Fazenda’, espetáculo que completa oito anos e avança rumo à internacionalização
Móveis, eletrodomésticos, relacionamentos, temporadas de teatro. O que eles têm em comum? Todos carregam o mesmo incômodo: parecem durar cada vez menos. Nem sempre tempo e dedicação resultam em algo duradouro. No teatro, isso se torna ainda mais evidente. Por sorte, um espetáculo de dois meses deixa algum registro: um programa digital, perfis no Instagram, fotos e vídeos. Diante disso, o ator Armando Babaioff parece determinado a transformar esse contexto. Há oito anos, ele iniciou um dos maiores projetos de sua carreira: o espetáculo Tom na Fazenda, que já percorreu o país e o mundo. E ainda parece estar longe de chegar ao fim.
A peça, em cartaz em São Paulo até dezembro, é uma adaptação do texto do dramaturgo canadense Michel Marc Bouchard, e tem direção de Rodrigo Portella. Entre segredos, mentiras e tensões familiares, a peça explora violência, preconceito e os limites da convivência em um ambiente marcado pelo autoritarismo e pela moral rígida. Na trama, o publicitário Tom (Babaioff) viaja até a fazenda da família de seu companheiro falecido para o funeral. Ao chegar, descobre que a sogra, Ágatha (Denise Del Vecchio), desconhecia tanto sua existência quanto a orientação sexual do filho. O drama se intensifica com o irmão do falecido, o homofóbico Francis (Iano Salomão), que envolve Tom em uma teia de mentiras para poupar a mãe da verdade. Ao longo dos dias, Tom enfrenta diversas agressões, ameaças e se vê impedido de deixar o local.
“Meu objetivo é levar esse espetáculo ao maior número possível de lugares. A peça acontece na minha vida e me encontra como ator e produtor de teatro, e ela assume a prioridade. É o meu ganha-pão, é o que eu tenho para vender. Eu vivo dela”, afirmou o ator em entrevista à Bravo.
A produção tem patrocínio do Ministério da Cultura e da Petrobras, via Lei Rouanet, e apoio internacional do Instituto Guimarães Rosa, o que tem permitido à peça manter circulação e projeção em diferentes palcos. Antes de chegar a São Paulo, a peça passou pelo Festival de Edimburgo, a maior mostra de artes cênicas do mundo, como parte do projeto do ator de internacionalizar o teatro brasileiro. Uma iniciativa ambiciosa que soa inovadora aos ouvidos. E mesmo fora do país, o impacto tem sido semelhante ao do público brasileiro: o choque diante da objetividade com que se mostra como a violência da masculinidade nasce e se perpetua.
“A grande maioria das pessoas que se identificam diretamente com a peça são homens gays que dizem: “Essa é a história da minha vida. Sou eu. Eu vivi isso. Eu sou da fazenda do interior de São Paulo, de Goiânia.” E a mesma coisa acontece em Edimburgo.”
Em entrevista à Bravo, o ator reconta a trajetória da peça, sua relação com o texto e os efeitos que o espetáculo teve em sua vida pessoal.
Depois de tantos anos em cartaz e viajando com o espetáculo, quais são seus planos? Continuar circulando com a peça ou encerrar esse ciclo em breve?
Não, o espetáculo não para. A gente já tem uma agenda completa. Estamos fechando o ano de 2026 com Tom na Fazenda. Temos apresentação em Belo Horizonte, Goiânia, claro, e tantos outros lugares que agora me fogem. Estamos numa turnê por 30 cidades brasileiras.
Essa turnê a gente está realizando desde Brasília, quando voltamos do Festival de Edimburgo. Nossa ida a Edimburgo foi um investimento e um pensamento de continuidade da internacionalização do espetáculo. Acredito muito que a peça ainda tem força no exterior.
Nós fizemos, em 2022, o Festival de Avignon, na França, que acabou resultando numa temporada em Paris em 2023 e numa turnê em 2024, de cinco meses pela Europa, entre Suíça, França e Bélgica.
O espetáculo tem um potencial muito grande de internacionalização, que está longe de se esgotar. Meu objetivo é levar esse espetáculo ao maior número possível de lugares. A peça acontece na minha vida e me encontra como ator e produtor de teatro, e ela assume a prioridade. É o meu ganha-pão, é o que eu tenho para vender. Eu vivo dela.
O que, exatamente, te interessou nessa trama? Para você, o que está no centro desse texto?
Acho que Tom na Fazenda recebe o público num lugar interessante. Quando divulgo a peça, tento convidar pessoas que nunca foram ao teatro. É uma peça que tem início, meio e fim, não é hermeticamente fechada numa ideia.
Ela é aberta. Há várias compreensões, várias leituras. Não só homofobia. A homofobia é um fato que acontece no passado e determina o presente dos personagens, e, ao mesmo tempo, dialoga muito com agora.
Estamos em cartaz desde 2017. Eu vi do palco as transformações recentes do mundo: vi a Dilma sofrer o impeachment, o Temer assumir, o Bolsonaro ser eleito. E percebi como essa peça é uma esponja: ela absorve todas as discussões. Tudo continua atual, ela só vai somando.
Ao longo desses 8 anos e 600 apresentações, eu consigo dizer isso com um certo distanciamento — mesmo ainda dentro do olho do furacão — que se trata de um clássico. É uma peça que comunica. E não só isso: a experiência de levá-la para o exterior prova que ela é universal. As mesmas coisas que escuto no Brasil, escuto lá fora. As referências mudam, mas as falas são as mesmas.
A grande maioria das pessoas que se identificam diretamente com a peça são homens gays que dizem: “Essa é a história da minha vida. Sou eu. Eu vivi isso. Eu sou da fazenda do interior de São Paulo, de Goiânia.” E a mesma coisa acontece em Edimburgo. A gente sai do espetáculo na Escócia e escuta de um norte-americano do Alabama que fugiu da fazenda da família e hoje mora em outro lugar.
Nesse tempo, você teve contato com o dramaturgo Michel Marc Bouchard? Ele chegou a ver o espetáculo?
Nós o convidamos para a estreia em 2017. Mas minha história com ele é curiosa. Quando conheci o texto, em 2014. Encontrei o e-mail dele na internet e escrevi dizendo que tinha interesse em comprar os direitos da peça.
Comecei a negociar os direitos autorais e entender com ele como fazer a tradução. Estava traduzindo principalmente porque não tinha ninguém que lesse inglês ou francês e pudesse me dar feedback. Traduzi por necessidade, mas foi um exercício muito interessante como ator.
Em 2016, fiz um filme selecionado para o Festival Internacional de Cinema em Montreal. Eu fui, e por sorte ele me viu no cartaz do filme e me escreveu. Eu disse “estou aqui”, e prontamente nos encontramos. E ele começou a dizer muitas coisas que determinam hoje o que é Tom na Fazenda. Uma delas é o título. Eu disse que achava que poderia soar infantil no Brasil, e ele respondeu: “É de propósito”. Eu achei maravilhoso.
De que maneira você se aproxima do personagem e que aspectos dele ressoam com você pessoalmente?
Ah… primeiro, no prefácio do livro Tom na Fazenda, Michel Bouchard escreve sobre a ausência. Ele escreve uma frase que, para mim, foi brutal: “Os homossexuais aprendem a mentir antes mesmo de aprender a amar.”
Essa frase me pegou de uma maneira. Entendo ela perfeitamente, sem titubear. Eu sei exatamente o que ela quer dizer e onde ela me atinge. Então, logo de cara, entendi sobre o que a peça queria falar através desse viés.
Essa questão, esse questionamento de você ser consciente, de entender quem você é no mundo e de que maneira vai dialogar com ele, às vezes é atrasado pelo fato de a sociedade não estar preparada para lidar com crianças, adolescentes e adultos gays. A gente vive no país que mais mata homossexuais no planeta. O Brasil ocupa o primeiro, e triste, lugar nesse ranking. Isso é um fato.
Isso tudo me atravessa. Porque isso tudo foi a minha existência. Eu sou da década de 80. As poucas referências que tive de homens gays eram todas estereotipadas na televisão brasileira. Eu entendia o que era aquilo, mas olhava e pensava: “Não sou eu”. Eu entendia, mas não me reconhecia ali. Então, a peça também mora nesse lugar.
Ela mora nesse lugar de ser uma ferramenta de educação, de mostrar o nascimento dessa violência. De onde vem? De onde nasce esse medo? Você não fala sobre você por medo. Por muito tempo, reconheci esse lugar do medo. Eu entendo exatamente que lugar é esse. Acho que isso me atravessa no palco.
Queria te fazer uma pergunta mais pessoal. E, claro, fique à vontade para não responder. Quando você falou sobre a questão da mentira, pensei no fato de que, durante muito tempo, muitos atores gays precisaram esconder a sexualidade para manter papéis e preservar uma certa persona pública. Isso atravessou a sua carreira de alguma forma? Você sentiu essa pressão ou isso nunca foi uma questão para você?
Cara, a minha carreira sempre foi pautada pelo teatro. A televisão sempre aconteceu na minha vida para fazer exatamente o que estou fazendo agora. Sempre tive muita clareza de que utilizava a televisão como meio, não como fim. Então, sempre tive oportunidades de bons personagens e sempre fui escolhido pelos autores ou pelos diretores. Nunca fui uma pessoa que correu atrás de televisão.
Sempre consegui conciliar minha carreira desse jeito, porque é dessa maneira que penso a minha profissão, o meu ofício, a minha trajetória. Então, nunca tive questões em relação a isso. A minha vida pessoal sempre foi minha vida pessoal, particular, do jeito que gosto de lidar. Eu realmente não gosto de exposição. Acho que é uma delicadeza comigo mesmo, até um limite suportável de contato com o mundo.
E voltando à questão da internacionalização: sinto que vocês agora são os principais representantes do texto. Como tem sido essa repercussão internacional?
Michel Marc Bouchard é muito próximo da gente. A gente trouxe ele para o Brasil para assistir ao espetáculo e ele viu a primeira apresentação, no Oi Futuro do Flamengo.
Quando ele entrou na sala, ele viu um teatro minúsculo, com 40 e poucos lugares, uns baldes, um plástico dobrado. Ele entrou, olhou e saiu, achando que não era ali. Aí alguém disse: “Não, não, é o Tom na Fazenda”. Ele voltou, entrou naquela sala e ficou simplesmente tentando entender o que ia acontecer ali.
Depois do espetáculo, ele me disse uma das coisas mais bonitas que já ouvi na vida. Ele disse, entre outras coisas, que era a primeira vez que havia esquecido que era o autor do espetáculo. E olha que ele já tinha assistido à peça em alguns lugares. Ele disse que precisava levar a nossa encenação para Montreal, para mostrar como o texto dele deveria ter sido dirigido. E, pela primeira vez, fomos para o exterior com esse espetáculo.
E como você vem estruturando esse plano de internacionalizar a peça?
Ao longo desses oito anos, a minha batalha foi manter o espetáculo em cartaz. Trabalhar na televisão foi um dos caminhos que encontrei para direcionar o dinheiro que ganhava lá e investir na peça, porque tenho objetivos, tenho lugares muito claros na minha cabeça. Repetir o que aconteceu em Avignon, em 2022, era a nossa expectativa este ano em Edimburgo.
Mas em Edimburgo nós não estávamos em nenhuma das mostras internacionais oficiais. Em Avignon nós estávamos no Off, não na mostra oficial. Nós fomos para as feiras de negócios. Não fomos apenas participar do festival. Estrategicamente, no planeta, Avignon e Edimburgo regulamentam o teatro mundial.
Foi uma escolha não participar da programação oficial?
Sim. Em três dias, os programadores de teatro não iriam nos ver. A mostra oficial é importante para pessoas estabelecidas, como a Christiane Jatahy. Eu não sou estabelecido, sou um anônimo. Eu chego lá no meio de 3.500 peças.
Então não queria apenas participar da mostra oficial para ter três dias de impressões. Eu apostei em 23 apresentações. É um mercado internacional inteiro de olho: China, Austrália…
Nós saímos no The Guardian, Cosmopolitan, The New Yorker… e isso já gera uma projeção que pode nos dar uma perna em Nova York. Estrategicamente, estávamos num lugar onde o espetáculo pode ser comercializado em Nova York num futuro próximo.
E ainda saímos de lá com um prêmio da China. Tom na Fazenda foi reconhecido pelo governo chinês como um dos melhores espetáculos do festival. Isso estreitou nossa relação com a China ao ponto de eu já estar negociando apresentações lá. E o primeiro lugar que nos convidou foi a Coreia do Sul.
Hoje, com prêmios, turnês internacionais e repercussão, como você avalia os frutos que Tom na Fazenda gerou na sua trajetória?
Olha isso: uma peça que nasceu no meu quarto em Copacabana. É um privilégio enorme. E essa é a maneira que eu, que comecei estudando teatro em escola pública em Jacarepaguá, tenho de devolver para o mundo e para a sociedade o investimento feito na minha educação. Tenho muito orgulho de levar esse espetáculo adiante.
Essa peça está servindo como exemplo para a nova geração de como se fazia teatro antigamente. Era assim que Fernanda Montenegro empreendia. Era assim que Antônio Fagundes sempre empreendeu. Eu não estou inventando nada. Mas, ao mesmo tempo, parece novo. Eu tenho exemplos de longevidade de trabalhos, de peças, de artistas que pegavam empréstimo e investiam no próprio trabalho.
E aí acontece Tom na Fazenda na minha vida. Bicho, eu viro um missionário. Sei exatamente o que estou fazendo. Não estou fazendo essa peça simplesmente. Estou fazendo porque, no fundo, esse é o meu plano de carreira. Esse é o meu ofício. Essa é a minha maneira de viver.
Queria entender a dimensão física do espetáculo. Como você trabalhou a construção corporal da encenação e que elementos foram determinantes nesse processo?
Ao longo da jornada de Tom na Fazenda, fui criando as minhas dinâmicas de necessidades físicas, emocionais e de voz. Tenho sentido cada vez mais a necessidade de me colocar num lugar de regra.
Este ano, diante das dificuldades, da perda do meu pai, desse planejamento de levar a peça para o exterior, para Edimburgo — o que gera muito estresse — procurei me cuidar muito mais, porque sabia que ainda precisava ir para a cena. Então me poupei muito no sentido de virar um atleta: tentar dormir bem, me alimentar bem, cortar álcool, sabendo exatamente quais eram minhas obrigações no ano. A gente começou a trabalhar em janeiro e está entregando agora, até dia 3 de dezembro. Não paramos. Tom na Fazenda não pode parar. Tom na Fazenda é uma empresa.
Então, sabendo que eu tenho uma dinâmica grande de trabalho, estou projetando a minha vida e o meu corpo para atender esse ofício.
A peça lida com uma violência quase autoconsumida pelo próprio personagem, e a sensação constante de que não há saída possível. Qual foi o caminho que te permitiu acessar e compreender esse universo em cena?
Antigamente, eu tentava entender as coisas. Hoje tento não entender mais nada. Entendo que sou só um mensageiro. Entendo que aquelas foram as palavras escolhidas, entendo que a encenação precisou acontecer daquela maneira porque a gente vive nesse país. E só percebi isso plenamente quando começamos a apresentar fora do Brasil. No exterior, as pessoas dizem que a encenação é violenta; aqui, elas riem. E eu não tenho controle sobre isso — nenhum. Mas é exatamente esse desconforto que quero causar.
É sobre esse desconforto embutido na normalização da violência. Para entender que é grave, parece que preciso me pendurar de cabeça para baixo. E aí, quando a gente vai para Montreal, simplesmente a palavra “viado” já basta, não precisa de mais nada. É o momento em que eles olham para a encenação e enxergam nela uma tradução do que é o Brasil. Lá fora, quando a peça acaba, recebemos aplausos diante de um espelho que olha para nós chocado, porque entende que aquilo só foi possível porque foi criado no Brasil.
Essa encenação só é desse jeito porque ela é brasileira. Porque ela é latino-americana. Porque é exatamente isso que olham lá fora: a barbárie — porque é barbárie. O autor não abre concessão, porque a vida não abre concessão. E, curiosamente, o Michel Marc Bouchard me disse uma vez, conversando sobre a montagem, que parecia que o texto dele fazia mais sentido no Brasil do que no próprio Canadá.
Por uma questão lógica, essa pergunta deveria ter vindo no começo da conversa, mas quando você encontra o teatro na sua vida?
Eu sou da Martins Pena, uma escola estadual de teatro. Sou formado pela UniRio. Minha mãe é costureira, tem a quarta série. Meu pai é vendedor de peças de automóvel. O teatro acontece na minha vida por volta dos 10 anos, numa escola pública em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Embora eu seja pernambucano, me mudei para o Rio com uns 7, 8 anos. E nessa escola tinha teatro. Foi o lugar onde tive contato com isso pela primeira vez e nunca mais saí. Foi uma política pública que me proporcionou esse encontro.
Quando a gente pega Tom na Fazenda e vai para Montreal, entende o potencial internacional, começamos a trabalhar o espetáculo para que ele tivesse uma carreira fora do Brasil. Focamos diretamente no Festival de Avignon, na França.
Era 2019 e estávamos projetando 2020. Já tínhamos convite para uma temporada em Montreal e, depois, três apresentações numa faculdade em Nova York. A coisa já estava se configurando.
Estávamos em Montreal em 2020 quando estourou a pandemia. Voltamos para o Brasil com uma mão na frente e outra atrás. Todo o dinheiro que poderíamos ter feito lá foi revertido em passagem aérea para voltar às pressas. A peça parou sem sabermos o que fazer — mas, de fato, ela nunca parou.
Diante de um espetáculo com tal potencial, e vendo todo o investimento que fizemos, eu percebo que existe a possibilidade de essa peça representar o Brasil nas maiores feiras de teatro do planeta. E acho extremamente importante dividir esse conhecimento, porque é algo pouquíssimo falado. Tudo isso foi construído ao longo desses oito anos para chegar até aqui. Só que o caminho foi muito solitário.
Você sentiu necessidade de mudar o texto ao longo da tradução?
Quando traduzi o texto, eu adaptei. Mudei referências geográficas e climáticas, porque eu não queria que o público assistisse à peça com referências canadenses — isso, para mim, distanciaria demais. E trouxe tudo para uma realidade da minha vida, da minha família.
Eu perdi meu pai recentemente, e isso também entrou no espetáculo. Estava fazendo a peça em Ribeirão Preto quando meu pai morreu, após um câncer muito violento, em 30 dias. Foi uma coisa muito louca, mas eu trouxe para a peça. Hoje eu entendo o luto de outro lugar.
Você sente que esse espetáculo te transformou enquanto ator? Em que medida essa experiência alterou a sua prática ou o seu olhar sobre o ofício?
Então, quando digo que a peça vai mudando, é porque ela amadurece comigo. Não existe faculdade que ensine o que estou aprendendo fazendo essa peça. O que a gente aprende fazendo essa peça. Como eu acho que mudei enquanto ator? Sinto que, depois desse espetáculo, posso fazer qualquer coisa. É uma flexibilidade mental muito grande. É um exercício permanente de entendimento de espaço cênico, projeção de voz, corpo.
Mas isso só essa musculatura te dá. E aí entendo que talvez seja mais importante você fazer mais repetições de um mesmo personagem do que interpretar dez personagens por ano. O Antônio Fagundes fala muito sobre isso: para um ator, a verticalidade é o que importa. É o teatro que ensina o ofício. O teatro é que te ensina a ser ator. Que lindo isso.
Tom na Fazenda
Teatro Vivo – Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 – Vila Cordeiro
Até 03 de dezembro. De terças e quartas, às 20h
Ingressos: R$140 e R$70 (meia); popular R$50 e R$25