Como foi produzida a canção viral Carnaval, de Marina Sena
Os produtores Janluska, Enzo Dicarlo e Pedro Lucas revelaram os truques de bastidores que fizeram nascer um dos maiores hits do verão
Provavelmente, você escutou essa faixa nos últimos dias algumas vezes. “Carnaval”, de Marina Sena, do EP Marinada Vol. 1 (2025), virou quase uma trilha sonora dos reels e stories no Instagram, como uma marca do amor dos foliões pela maior festa brasileira. Um atestado de quem é do carnaval.
Os produtores Janluska, Enzo Dicarlo e Pedro Lucas se reuniram em um vídeo e revelaram os truques de bastidores que fizeram nascer um dos maiores hits do verão. E destrincharam todos os elementos que compõem a melodia, mostrando como a faixa foi construída a partir da sobreposição de diferentes referências e experimentações.
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Um dos pontos de partida foi o uso de um áudio que viralizou recentemente no Instagram, da banda baiana Psirico. A ideia era incorporar essa energia já reconhecível dentro de uma construção própria, conectando imediatamente a música ao imaginário popular do carnaval e às sonoridades que circulam nas redes.
O grupo havia finalizado a canção Sensei (também de Marina) e a cantora já tinha outro projeto na mente. “A Marina queria fazer um funk. Mas, p*, eu não sei fazer funk.”, comenta Janluska. Por sorte, ele já tinha alguns nomes de quem dominava a batida, o que ajudou a direcionar o caminho da produção e ampliar o vocabulário da faixa.
Os rapazes tiveram a ideia num encontro de madrugada, no estúdio. A intenção era criar uma sonoridade mais híbrida, mais “suja”, que não se limitasse a um único gênero. “A Marina queria que tivesse um impacto imediato. Esse, para mim, foi o pensamento que conduziu a parada”, completou Pedro Lucas. Esse princípio norteou decisões como a escolha dos timbres, a dinâmica das entradas e o desenho do groove.
E como todo bom criador, havia materiais na manga. O produtor Enzo Dicarlo revisitou produções anteriores, beats que não foram utilizados em outros trabalhos e fragmentos que ainda poderiam ganhar nova vida. Um dos trechos era uma edição da música de abertura da série “Ruptura”. Para captar, é preciso escutar com bastante atenção.
De modo geral, o single nasceu da junção das ideias dos três produtores. “É basicamente uma parte do beat do Enzo, com uma parte do beat do Pedro, mais as percussões e as coisas que vinhamos construindo na identidade da Marina no Coisas Naturais”, explica Janluska. O resultado veio de diferentes sessões combinadas até chegar à forma final. Existem duas versões do hit, sendo uma delas mais completa com o Psirico, com estruturas levemente diferentes, mas que partem da mesma base.
Pedro, por sua vez, mergulhou fundo na memória afetiva dos millennials e resgatou um recorte da canção “As Long As You Love Me”, dos Backstreet Boys. A semelhança, entretanto, é muito sutil, funcionando mais como uma referência estrutural do que como uma citação evidente. Durante o trabalho, então individual, o “acidente” aconteceu num mesmo clique. “Demos o play meio que sem querer e funcionou”, diz Enzo. A voz e composição de Marina só entraram mais tarde, quando a base já apontava para uma identidade canção.
Eles explicam que a música é um resultado de inúmeras colagens e mixagens, de instrumentos, marchinhas e canções completamente distintas, combinando elementos eletrônicos e percussivos. “Tem um sample muito característico do funk no Brasil, que é o KICK BH 3. Ele tem um som muito característico, médio-grave. E tem um plugin chamado Synplant, de inteligência artificial, para reconstituir sons. E eu o usei para ressintetizar o BH3. E acabamos utilizando-o nessa música. Esse é meio que a base do groove da música”, explica Pedro.
Ao fim, o resultado ganhou o Brasil. Vale destacar que “Carnaval” foi construída a partir de camadas, referências e reaproveitamentos, numa sopa de intuição, acaso e, claro, uma boa intervenção tecnológica.