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Editora cancela livro após suspeita de texto feito com IA

Shy Girl, da autora Mia Ballard, que seria publicado em maio pela Hachette Book Group nos EUA, teve suas vendas suspensas

Por Redação Bravo! 24 mar 2026, 14h42 | Atualizado em 24 mar 2026, 14h44
Shy Girl, da autora Mia Ballard, que seria publicado em maio pela Hachette Book Group, teve seu lançamento suspenso
Shy Girl, da autora Mia Ballard, que seria publicado em maio pela Hachette Book Group, teve seu lançamento suspenso (Amazon/reprodução)
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  • Uma grande editora estadunidense voltou atrás e decidiu cancelar um de seus lançamentos literários do ano. Até então, nada incomum no mercado editorial. O que chamou a atenção da imprensa internacional foi a suspeita de uso intensivo de ferramentas de inteligência artificial na escrita da obra. O livro em questão é Shy Girl, da autora Mia Ballard, que seria publicado em maio pela Hachette Book Group.

    O anúncio foi feito pela editora na semana passada. A obra já foi retirada da Amazon e também removida do catálogo no Reino Unido, onde havia sido lançada anteriormente. A venda da publicação independente da autora segue disponível na Amazon.

    Em nota ao jornal The New York Times, a editora declarou que “permanece comprometida em proteger a expressão criativa original e a narrativa.” Acrescentou ainda que exige que todas as obras submetidas sejam originais e que os autores informem se houve uso de ferramentas de IA.

    Ballard, por sua vez, negou ter recorrido à inteligência artificial generativa. “Essa controvérsia mudou minha vida de muitas maneiras, minha saúde mental está no nível mais baixo de todos os tempos e meu nome foi arruinado por algo que eu nem sequer fiz pessoalmente”, afirmou ao The New York Times. A autora disse ainda que contratou um conhecido para editar a versão autopublicada do livro e que está em vias de buscar apoio jurídico.

    Shy Girl é um thriller psicológico que acompanha Gia, uma jovem solitária que enfrenta dificuldades financeiras e questões de saúde mental. Em busca de uma alternativa, ela recorre a um site de sugar dating e, ali, conhece um homem rico que lhe propõe viver sob seu controle em troca de estabilidade. A relação, no entanto, evolui rapidamente para um contexto de abuso e confinamento, levando a protagonista a uma luta pela própria sobrevivência.

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    As suspeitas partiram dos próprios leitores, em plataformas como Goodreads e Reddit, que identificaram padrões de escrita associados ao uso de IA, como metáforas genéricas, construções confusas e falhas de formatação. Até o momento, cerca de 1.800 exemplares do livro foram vendidos.

    No Reddit, usuários discutiram problemas evidentes na publicação: “Comecei a ler esse livro recentemente e fiquei bastante confuso. Tenho a versão física e há vários problemas estranhos de formatação. Mais alguém percebeu isso? Parece que o texto foi todo escrito em um documento do Word com quebras de página forçadas — algumas páginas terminam no meio, e o texto continua na seguinte. Há também parágrafos que quebram no meio de uma frase. Posso até enviar fotos, se quiserem. No início, pensei que fosse intencional, como se a protagonista estivesse perdendo a sanidade e isso se refletisse na escrita desorganizada. Mas agora começo a achar que pode ter sido escrito inteiramente com IA, especialmente pela repetição na linguagem”, disse um deles.

    A discussão, no entanto, segue em aberto. Outros leitores argumentam que já não é simples distinguir a escrita humana da produzida por IA e apontam que erros de diagnóstico por softwares de detecção são frequentes.

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    A controvérsia não se limita ao texto. Também surgiram acusações de plágio envolvendo a capa do livro, que teria sido recortada de uma pintura da artista britânica Whyn Lewis.

    O caso ocorre em um contexto de ausência de regulamentação específica para o uso de inteligência artificial, tanto no que diz respeito à proteção de direitos autorais quanto à preservação do trabalho de profissionais impactados pelo avanço dessas tecnologias.

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