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5 poemas inesquecíveis de Castro Alves

O Dia Nacional da Poesia, originalmente celebrado em 14 de março, foi criado em homenagem ao poeta baiano, nascido nesta data em 1847

Por Redação Bravo!
14 mar 2025, 12h16 •
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Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) foi um dos maiores poetas brasileiros do século XIX, conhecido principalmente por suas obras abolicionistas e de caráter social. (Reprodução/reprodução)
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  • O Dia Nacional da Poesia, anteriormente celebrado em 14 de março, foi criado em homenagem ao poeta Antônio Frederico de Castro Alves, nascido nesta data em 1847, na Bahia. Reconhecido como um dos maiores poetas brasileiros, Castro Alves é lembrado não só por sua habilidade com as palavras, mas também pela luta incansável pela liberdade. Ele foi um defensor da abolição da escravidão e da liberdade política. Em 2015, uma lei foi sancionada, alterando a data para 31 de outubro, em referência ao nascimento de Carlos Drummond de Andrade. Contudo, março segue sendo um mês dedicado à poesia, com o Dia Mundial da Poesia comemorado em 21 de março, conforme a determinação da UNESCO, durante sua 30ª sessão, em 1999. Ainda assim, a poesia deve ser celebrada todos os dias. Por isso, resgatamos cinco poemas de grandes autoras brasileiras.

    A Duas Flores 

    São duas flores unidas
    São duas rosas nascidas
    Talvez do mesmo arrebol,
    Vivendo,no mesmo galho,
    Da mesma gota de orvalho,
    Do mesmo raio de sol.

    Unidas, bem como as penas
    das duas asas pequenas
    De um passarinho do céu…
    Como um casal de rolinhas,
    Como a tribo de andorinhas
    Da tarde no frouxo véu.

    Unidas, bem como os prantos,
    Que em parelha descem tantos
    Das profundezas do olhar…
    Como o suspiro e o desgosto,
    Como as covinhas do rosto,
    Como as estrelas do mar.

    Unidas… Ai quem pudera
    Numa eterna primavera
    Viver, qual vive esta flor.
    Juntar as rosas da vida
    Na rama verde e florida,
    Na verde rama do amor!

    As Três Irmãs do Poeta 

    É Noite! as sombras correm nebulosas.
    Vão três pálidas virgens silenciosas
    Através da procela irrequieta.
    Vão três pálidas virgens… vão sombrias
    Rindo colar num beijo as bocas frias…

    Na fronte cismadora do Poeta:
    “Saúde, irmão! Eu sou a Indiferença.
    Sou eu quem te sepulta a idéia imensa,
    Quem no teu nome a escuridão projeta…
    Fui eu que te vesti do meu sudário…
    Que vais fazer tão triste e solitário?…”

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    – “Eu lutarei!” – responde-lhe o Poeta.
    “Saúde, meu irmão! Eu sou a Fome.
    Sou eu quem o teu negro pão consome…
    O teu mísero pão, mísero atleta!
    Hoje, amanhã, depois… depois (qu’importa?)
    Virei sempre sentar-me à tua porta…”

    -“Eu sofrerei”-responde-lhe o Poeta.
    “Saúde, meu irmão! Eu sou a Morte.
    Suspende em meio o hino augusto e forte.
    Marquei-te a fronte, mísero profeta!
    Volve ao nada! Não sentes neste enleio
    Teu cântico gelar-se no meu seio?!”
    -“Eu cantarei no céu” – diz-lhe o Poeta!

    A canção do africano 

    Lá na úmida senzala,
    Sentado na estreita sala,
    Junto ao braseiro, no chão,
    Entoa o escravo o seu canto,
    E ao cantar correm-lhe em pranto
    Saudades do seu torrão…

    De um lado, uma negra escrava
    Os olhos no filho crava,
    Que tem no colo a embalar…
    E à meia voz lá responde
    Ao canto, e o filhinho esconde,
    Talvez pra não o escutar!

    “Minha terra é lá bem longe,
    Das bandas de onde o sol vem;
    Esta terra é mais bonita,
    Mas à outra eu quero bem!

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    “0 sol faz lá tudo em fogo,
    Faz em brasa toda a areia;
    Ninguém sabe como é belo
    Ver de tarde a papa-ceia!

    “Aquelas terras tão grandes,
    Tão compridas como o mar,
    Com suas poucas palmeiras
    Dão vontade de pensar …

    “Lá todos vivem felizes,
    Todos dançam no terreiro;
    A gente lá não se vende
    Como aqui, só por dinheiro”.

    O escravo calou a fala,
    Porque na úmida sala
    O fogo estava a apagar;
    E a escrava acabou seu canto,
    Pra não acordar com o pranto
    O seu filhinho a sonhar!

    ……………………….

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    O escravo então foi deitar-se,
    Pois tinha de levantar-se
    Bem antes do sol nascer,
    E se tardasse, coitado,
    Teria de ser surrado,
    Pois bastava escravo ser.

    E a cativa desgraçada
    Deita seu filho, calada,
    E põe-se triste a beijá-lo,
    Talvez temendo que o dono
    Não viesse, em meio do sono,
    De seus braços arrancá-lo!

    Ode ao 2 de Julho

    Era no Dous de Julho

    A pugna imensa

    Travava-se nos cerros da Bahia…

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    O anjo da morte pálido cosia

    Uma vasta mortalha em Pirajá.

    “Neste lençol tão largo, tão extenso,

    “Como um pedaço roto do infinito …

    O mundo perguntava erguendo um grito:

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    “Qual dos gigantes morto rolará?! …

    Debruçados do céu. . . a noite e os astros

    Seguiam da peleja o incerto fado…

    Era tocha — o fuzil avermelhado!

    Era o Circo de Roma — o vasto chão!

    Por palmas — o troar da artilharia!

    Por feras — os canhões negros rugiam!

    Por atletas — dous povos se batiam!

    Enorme anfiteatro — era a amplidão!

    Não! Não eram dous povos os que abalavam

    Naquele instante o solo ensangüentado…

    Era o porvir — em frente do passado,

    A liberdade — em frente à escravidão.

    Era a luta das águias — e do abutre,

    A revolta do pulso — contra os ferros,

    O pugilato da razão — com os erros,

    O duelo da treva — e do clarão! …

    No entanto a luta recrescia indômita

    As bandeiras – como águias eriçadas —

    “Se abismavam com as asas desdobradas

    Na selva escura da fumaça atroz…

    Tonto de espanto, cego de metralha

    O arcanjo do triunfo vacilava…

    E a glória desgrenhada acalentava

    O cadáver sangrento dos heróis!

    Mas quando a branca estrela matutina

    Surgiu do espaço e as brisas forasteiras

    No verde leque das gentis palmeiras

    Foram cantar os hinos do arrebol,

    Lá do campo deserto da batalha

    Uma voz se elevou clara e divina.

    Eras tu — liberdade peregrina!

    Esposa do porvir — noiva do Sol!…

    Eras tu que, com os dedos ensopados

    No sangue dos avós mortos na guerra,

    Livre sagravas a Colúmbia Terra,

    Sagravas livre a nova geração!

    Tu que erguias, subida na pirâmide

    Formada pelos mortos do Cabrito,

    Um pedaço de gládio — no infinito…

    Um trapo de bandeira — n’amplidão!.

     

    Mocidade e morte 

    Oh! Eu quero viver, beber perfumes

    Na flor silvestre, que embalsama os ares;

    Ver minh’alma adejar pelo infinito,

    Qual branca vela n’amplidão dos mares.

    No seio da mulher há tanto aroma…

    Nos seus beijos de fogo há tanta vida…

    Árabe errante, vou dormir à tarde

    A sombra fresca da palmeira erguida.

    Mas uma vez responde-me sombria:

    Terás o sono sob a lájea fria.

    Morrer… quando este mundo é um paraíso,

    E a alma um cisne de douradas plumas:

    Não! o seio da amante é um lago virgem…

    Quero boiar à tona das espumas.

    Vem! formosa mulher—camélia pálida,

    Que banharam de pranto as alvoradas.

    Minh’alma é a borboleta, que espaneja

    O pó das asas lúcidas, douradas…

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