10 livros de outubro escolhidos pela Bravo!
O mês chega com uma seleção de lançamentos que exploram memória, identidade, poder e transformação
Outubro chega com uma seleção de lançamentos que exploram memória, identidade, poder e transformação. Entre romances, memórias e investigações jornalísticas, a lista da Bravo! reúne títulos que vão da ascensão social de uma família negra em Meridiana, de Eliana Alves Cruz, às memórias de Malala Yousafzai em No meu caminho, passando por conflitos conjugais, questões ambientais, descobertas de identidade e obras clássicas revisitadas. A diversidade de vozes e temas reflete tanto histórias pessoais intensas quanto reflexões sobre sociedade, linguagem e cultura, oferecendo uma panorâmica ampla do que a literatura brasileira e internacional tem a apresentar neste mês.
Meridiana, Eliana Alves Cruz (Companhia das Letras, 2025)
O romance Meridiana, de Eliana Alves Cruz, acompanha a trajetória de Aurora e Ernesto, que deixam a favela em busca da ascensão social e da estabilidade para seus filhos. Narrado em primeira pessoa por seis personagens — mãe, pai, filhos e filha —, o livro revela as experiências individuais e coletivas de uma família negra ao longo de três gerações. Com prosa precisa e sensível, a autora explora as nuances do processo de mobilidade social, mostrando as conquistas, os desafios e os legados transmitidos, enquanto reflete sobre desigualdade, memória e pertencimento.
No meu caminho; de Malala Yousafzai (Companhia das Letras, 2025)
No meu caminho, de Malala Yousafzai, traz memórias da jovem ativista além da visibilidade internacional conquistada após o atentado do Talibã. No livro, ela narra sua trajetória de autodescoberta, amizade, primeiros amores e desafios cotidianos, revelando como se tornou uma jovem em paz com seu passado. Com humor, ternura e honestidade, Malala mostra que figuras públicas também enfrentam inseguranças, erros e turbulências, lembrando que coragem e resiliência caminham lado a lado com a humanidade de cada pessoa.
A guerra dos Roses, Warren Adler (Intrínseca, 2025)
Jonathan e Barbara Rose parecem viver a vida perfeita: casamento de dezoito anos, filhos adolescentes, uma casa cuidadosamente reformada, antiguidades, um cachorro, uma gata e até uma Ferrari. Mas quando Jonathan sofre um suposto ataque cardíaco, Barbara percebe que não sente mais amor pelo marido e decide seguir seu próprio caminho, investindo em um novo negócio e iniciando o divórcio. O problema é a casa: para os dois, o lar não é apenas um imóvel, mas símbolo de uma vida inteira. Assim, começa uma guerra implacável, na qual cada um fará de tudo para expulsar o outro, custe o que custar, até mesmo seus preciosos bens.
O fim de Eddy, Édouard Louis (Todavia, 2025)
O livro acompanha a infância e o início da adolescência de um garoto que descobre sua homossexualidade em uma pequena cidade operária do norte da França. Para se encaixar, Eddy tenta imitar os meninos ao seu redor, forçando-se a ser “durão” como o pai e o irmão, jogar futebol, se envolver com meninas e até se embriagar, enquanto reprime seus desejos para escapar da violência escolar. Mistura de ficção, ensaio e autobiografia, o livro se tornou um clássico contemporâneo queer, retratando com brutalidade e sinceridade a descoberta da identidade, a coragem e a transformação pessoal.
O cerco: A Amazônia invadida pelo gado, Marina Rossi (Todavia, 2025)
A autora investiga como a pecuária ilegal impulsiona o desmatamento da Amazônia. Com uma escrita precisa e indignada, o livro mostra que o pasto é aberto com fogo, o gado chega e a terra, muitas vezes grilada, se transforma em lucro — tudo dentro de um sistema tolerado e eficiente. A narrativa não se perde em números: a devastação é contada a partir do prato de cada dia. De onde vem aquele bife? Que caminho percorreu até chegar ao garfo? A investigação percorre séculos, desde os primeiros bois trazidos ao Brasil, passando pelos matadouros coloniais e pela ocupação da Amazônia na ditadura militar, até os conflitos atuais que ainda mancham a região.
Histórias de uma garota malcomportada, Nettie Jones (Fósforo, 2025)
romance de estreia de Nettie Jones publicado em 1984, acompanha Lewis Jones, um jovem negro que transita entre a boemia de Nova York e a comunidade próspera de Detroit nos anos 1970. Entre festas, amantes e excessos, sua vida desregrada é desafiada por Brook, um homem cruelmente charmoso.
O livro explora sexualidade, negritude, agência e autodestruição a partir das experiências radicais da autora. Considerado à época chocante e até pornográfico, ficou fora de circulação por décadas.
O Polonês, J.M. Coetzee (Companhia das Letras, 2025)
J.M. Coetzee acompanha Witold Walczykiewicz, pianista célebre e controverso, que se envolve brevemente com Beatriz, uma patrona das artes casada, durante sua passagem por Barcelona. Após o romance interrompido, Witold deixa 84 poemas em sua língua natal, que Beatriz tenta decifrar, buscando sentido entre paixão, arte e memória. Em seis capítulos concisos, o livro explora temas como arte, tradução, nacionalismo, desejo e incompreensão humana, construindo uma reflexão profunda sobre relações e comunicação.
Visita ao pai, Cristovão Tezza (Companhia das Letras, 2025)
Cristovão Tezza mergulha nos cadernos do pai, João Batista Tezza, que registrou obsessivamente sua vida entre 1931 e 1959, de cartas e documentos a lembranças cotidianas. O autor constrói uma narrativa que mistura memória familiar, história do Brasil — de Vargas à ditadura militar — e reflexões sobre afetos e formação pessoal. Resultado é um relato terna e audacioso sobre pai e filho, uma obra formalmente ousada de um dos escritores mais premiados do país.
Como nos comunicamos importa, Jana Viscardi (Planeta, 2025)
Na obra, a linguista Jana Viscardi analisa como escolhas de linguagem moldam a forma como entendemos o mundo. Com exemplos de manchetes e textos jornalísticos, ela revela contradições e desafios da informação, mostrando que a forma de comunicar tem impacto direto na percepção da realidade. Um livro provocativo sobre poder, linguagem e verdade.
Terpsícore, Machado de Assis (Boitatá, 2025)
“Terpsícore”, de Machado de Assis, narra a história de Porfírio e Glória, um casal que, entre danças e flertes, sonha em escapar da pobreza. Quando Porfírio ganha na loteria, a escolha de se divertir em vez de poupar guia a narrativa, que culmina em uma grande festa. Publicado originalmente em suplemento literário e esquecido por décadas, o conto agora ganha nova edição da Boitempo, com ilustrações inéditas de Larissa de Souza, revelando novamente a ironia, a ousadia e a maestria de Machado em retratar a vida e seus acasos.