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Os filmes que mais marcaram o ano, segundo críticos e jornalistas

Convidamos quatro críticos para falar sobre os filmes que mais os marcaram neste ano

Por Redação Bravo!
26 dez 2025, 09h00 •
Valor Sentimental (divulgação/divulgação)
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  • Falar de filmes costuma ser um terreno delicado e, muitas vezes, conflituoso. É raro que se chegue a um consenso, ainda que ele exista em casos específicos. Basta acompanhar os comentários nas redes sociais para perceber como esse tipo de debate pode assustar e até inibir quem quer opinar. Isso também acontece entre críticos e jornalistas, o que torna a troca mais interessante quando se aceita que não existe uma resposta única, certa ou errada.

    Diante disso, convidamos quatro críticos para falar sobre os filmes que mais os marcaram neste ano.

    Votaram: Barbara Demerov, Bruno Carmelo, Paulo Ernesto e Paula Jacob. Confira as respostas:

    Barbara Demerov

    Escolha: “Valor Sentimental”, de Joachim Trier.

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    Inga Ibsdotter Lilleaas e Elle Fanning em “Valor Sentimental” (divulgação/divulgação)

    Em Valor Sentimental, Joachim Trier trabalha a dinâmica de uma família — com questões sutis até as mais complexas — a partir de um olhar extremamente delicado. Os cômodos de uma bela casa representam camadas de inúmeras lembranças e pontas soltas que ainda ecoam pelo tempo. As sublimes atuações de Stellan Skarsgård, Renate Reinsve e Inga Ibsdotter Lilleaas reforçam o impacto dessa história tão íntima e, ao mesmo tempo, universal.

    Barbara Demerov (@barbarademerov) é jornalista cultural e crítica de cinema com mais de 10 anos de atuação. É votante do Globo de Ouro desde 2023 e faz parte da Abraccine.

     

    Bruno Carmelo

    Escolha: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho.

    kleber-mendonca-filho-wagner-moura-cannes-festival-cinema-melhor-ator-melhor-diretor-agente-secreto
    (IMDB/reprodução)

    É muito saudável que o cinema brasileiro não apenas acumule prêmios mundo afora, mas que o faça por filmes como este: ousado, radical, inventivo, sem concessões. O Agente Secreto traz muitos personagens, diversas tramas em paralelo, e múltiplos estilos que se cruzam. O drama se impregna de horror, fantasia, comédia e suspense. Assim, Kleber Mendonça Filho e sua excelente equipe discutem o passado sem cair em obviedades (a ditadura está ali, no fundo de cada imagem, sem a necessidade de verbalizá-la), apontando para um futuro ditado pela educação, a pesquisa e o cinema. Enquanto as forças do governo representam mortes e perseguições, as salas escuras e o Carnaval de rua transbordam de vida. Com poucos longas-metragens na carreira, o diretor já construiu uma marca autoral própria e, felizmente, contou com os recursos necessários para construir uma verdadeira obra-prima.

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    Bruno Carmelo é crítico de cinema desde 2004, membro da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) e da FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema). Mestre em teoria de cinema pela Universidade Sorbonne Nouvelle — Paris III. Passagem por veículos como AdoroCinema, Papo de Cinema, Le Monde Diplomatique Brasil e Rua — Revista Universitária do Audiovisual. Professor de cursos sobre o audiovisual e autor de artigos sobre o cinema.

    Elias Oliveira

    Escolha: Malês, de Antonio Pitanga.

    Como homem negro e gay, atuando como relações públicas e gerente de programação no audiovisual brasileiro, uma das maiores alegrias, satisfações e orgulhos da minha trajetória profissional foi participar do lançamento do filme Malês. Um projeto que levou mais de 20 anos para sair do papel, viabilizado pela bravura, sensibilidade e persistência de Antonio Pitanga.

    Pouco tempo depois, ‘Medida Provisória’ de Lázaro Ramos, assim como Malês, esgotou sessões e fez com que muitos homens e mulheres negros brasileiros se vissem, finalmente, representados na tela. Lázaro, inclusive, é coprodutor de Malês, o que reforça ainda mais a importância de estarmos também nos lugares de decisão.

    Depois de séculos de apagamento, pessoas negras hoje ocupam a televisão como protagonistas, estão presentes na publicidade, na moda, e contam com uma legislação que criminaliza o racismo. Nada disso pode, ou deve, retroceder.

    Vivemos um tempo em que uma cantora negra e transexual vence prêmios Grammy, e em que Malês segue em cartaz, ultrapassando a marca de 100 mil ingressos vendidos. Esses avanços são conquistas reais, concretas e simbólicas. O racismo só é plenamente compreendido por quem o sente na pele ou pelo peso de um olhar torto que insiste em nos atravessar. Isso precisa mudar. Dignidade e direitos humanos existem para garantir que todas as pessoas possam viver com respeito, reconhecimento e felicidade.

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    Malês, de Antônio Pitanga (divulgação/divulgação)
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    Elias Oliveira é assessor de imprensa com 20 anos de experiência no mercado cinematográfico, com atuação em programação, distribuição, produção e exibição de filmes de arte. Especialista em lançamentos, soma mais de 400 títulos no currículo e domínio de todas as etapas de divulgação para cinema, séries e teatro.

    Paula Jacob

    Escolha: “Hamnet: A vida antes de Hamlet”, de Chloé Zhao.

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    Jessie Buckley como Agnes e Paul Mescal como William Shakespeare em Hamnet, dirigido por Chloé Zhao (Agata Grzybowska / © 2025 Focus Features LLC/divulgação)

    Com essa adaptação do livro de Maggie O’Farrell, Chloé Zhao mostra mais uma vez a profundidade da sua sensibilidade artística. A história nunca contada de Agnes Shakespeare, esquecida por séculos de qualquer biografia sobre um dos maiores escritores e dramaturgos da Inglaterra, finalmente ganha espaço, corpo, cheiro e textura. A fabulação dessa mulher mostra o poder das narrativas femininas também pelo interesse genuíno na subjetividade das personagens. As performances de Jessie Buckley e Paul Mescal, e do jovem Jacobi Jupe deixam o filme ainda mais profundo, inescapável. Amor e luto encontram caminho nas lentes desta cineasta que não teme a emoção.

    Paula Jacob (@pjaycob), crítica, pesquisadora e professora de cinema. 

     

    Paulo Ernesto

    Escolha: “O Misterioso Olhar do Flamingo”, de Diego Céspedes.

    O Misterioso Olhar do Flamingo
    O Misterioso Olhar do Flamingo (divulgação/divulgação)

    Um dos meus filmes favoritos do ano é o chileno O Misterioso Olhar do Flamingo, estreia de Diego Céspedes na direção de longas. Apresentado no Festival de Cannes, onde venceu a mostra Un Certain Regard, o filme também foi exibido no Festival do Rio. Ambientada no deserto chileno dos anos 1980, a narrativa acompanha uma família queer a partir do olhar de Lidia, uma menina de 11 anos criada por Flamingo. Entre afetos profundos e violências cotidianas, o grupo é alvo da hostilidade da comunidade local, que passa a vigiá-los após o surgimento de uma suposta doença transmitida pelo olhar. Com inventividade e delicadeza, Céspedes expõe os mecanismos da estigmatização e do medo, ao mesmo tempo, em que celebra os vínculos que sustentam essa família. Ao mesclar fábula e drama de forma autoral, o filme aborda uma história violenta sem abrir mão da sensibilidade.

    Paulo Ernesto (@opauloernesto) é crítico de cinema, roteirista e apresentador, com mais de dez anos de atuação na cobertura de grandes festivais e premiações. Atualmente, cria conteúdo audiovisual e integra as equipes da Flix Media e do AdoroCinema.

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