“O agente secreto” ganha primeiro teaser internacional
Filme com Wagner Moura foi premiado no último Festival de Cannes e chega aos cinemas em novembro deste ano
O aguardado filme O Agente Secreto, novo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho estrelado por Wagner Moura, acaba de ganhar seu primeiro teaser internacional.
Ambientado no Brasil de 1977, o filme acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia com um passado misterioso que decide se refugiar no Recife em busca de paz — uma decisão que se revela muito mais complexa do que ele imagina. O longa também tem nomes como Alice Carvalho, Maria Fernanda Cândido e Gabriel Leone no elenco.
A saga de festivais internacionais
Depois de ter recebido o Prix du Jury, o prêmio do Júri, pelo longa-metragem Bacurau (2019) em Cannes, Kleber Mendonça Filho retornou ao festival de cinema francês seis anos depois e conquistou um feito ainda maior: O agente secreto, exibido em 18/5, com o diretor e todo o elenco, conquistou o troféu de Melhor Diretor e o prêmio de Melhor Ator para Wagner Moura. O filme também estava na disputa pela Palma de Ouro.
Brasil em Cannes
A comitiva brasileira nesses eventos internacionais tem aproveitado para levar um pouco da cultura nacional para o tapete vermelho. Um dos momentos mais emocionantes aconteceu antes da entrada no Grande Teatro Lumière, quando os artistas caminharam sob o som de uma orquestra de frevo. Na festa, estavam presentes até mesmo a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga.
O agente secreto é o sexto longa de Mendonça Filho e marcou sua terceira participação na disputa pela Palma de Ouro. Ele já esteve na mostra principal com Aquarius (2016) e Bacurau (2019).
Muito se falou sobre a ovação de 13 minutos ao final da exibição, mas essa régua não é muito confiável, já que aplausos longos em festivais costumam ser mais uma demonstração de respeito ao cineasta e aos artistas presentes do que uma avaliação exata do filme.
O que a crítica internacional diz sobre “O Agente Secreto”?
A divulgação sobre a duração dos aplausos em festivais é vista mais como uma estratégia publicitária adotada pelas produções do que uma medida objetiva da qualidade da obra.
Felizmente, no caso de O agente secreto, as reações vêm sendo bastante positivas. Peter Debruge, da Variety, trouxe uma avaliação elogiosa, destacando o filme como fluido e imprevisível. “Mendonça demonstra uma capacidade notável não apenas de recriar, mas de nos transportar de volta àquela época”, afirma o crítico. A revista previu inclusive três possíveis indicações ao Oscar de 2026.
Já David Rooney, do The Hollywood Reporter, exalta a linguagem absurda da produção como elemento que a torna mais interessante e original: “É o tipo de desvio bizarro que você não esperaria encontrar em um thriller político de época centrado em um pai viúvo cuja vida está em perigo. Mas momentos de humor anárquico em meio a um suspense genuíno são exatamente o tipo de coisa que torna o quarto longa narrativo de Kleber Mendonça Filho um original tão emocionante.” Rooney também destaca a atuação de Wagner Moura: “Ele sempre foi um bom ator, mas Mendonça Filho faz dele uma estrela de cinema.”
O crítico ainda traça um paralelo com o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional: “Apesar de seus floreios humorísticos e personagens cômicos, O agente secreto é um filme profundamente sério sobre uma época dolorosa do passado brasileiro, quando inúmeras pessoas desapareciam, assassinos de aluguel negociavam preços, e até mesmo cidades remotas, onde a ditadura era praticamente invisível, sentiam seu longo alcance. É ao mesmo tempo semelhante e completamente diferente do vencedor do Oscar do ano passado, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, cuja ação principal se passa no Rio de Janeiro no início dos anos 70.”
Pete Hammond, do Deadline, também apresenta uma crítica animada, compreendendo a obra como coerente na carreira de Kleber, mas faz a ressalva de que o filme é longo e, por vezes, se perde em subtramas que dificultam o acompanhamento. “Filho, no entanto, conseguiu infundir [o filme] com estilo e emoção em tela grande”, resume o jornalista.
David Ehrlich, do IndieWire, destaca que Kleber comprova que os filmes de ficção são, às vezes, os melhores documentários. O site, um dos poucos a atribuir notas, avaliou o longa com um “B+”. Ehrlich ressalta que, apesar do título e de elementos que remetem à espionagem, o filme não é um thriller de ação convencional, mas sim um drama que caminha em um ritmo mais lento e contemplativo, valorizando a memória e as relações humanas. “O agente secreto está consistentemente menos interessado na ação do que nas consequências, e menos interessado na cena do que no cenário. Dá para sentir o êxtase do cineasta ao realizar o sonho de recriar a era de ouro dos cinemas de Recife”, avalia.