6 exposições para visitar em São Paulo neste mês
Entre retrospectivas, mostras coletivas e projetos individuais, há boas opções para quem aproveita o período poder contemplar com mais calma
O calendário cultural costuma desacelerar no fim do ano, mas museus e galerias seguem com exposições em cartaz. Entre retrospectivas, mostras coletivas e projetos individuais, há boas opções para quem aproveita o período para circular pela cidade e poder contemplar com mais calma. Reunimos seis mostras que permanecem abertas até janeiro, com propostas variadas e diferentes abordagens artísticas.
Joaquin Torres Garcia
O Centro Cultural Banco do Brasil inaugurou neste mês “Joaquín Torres García – 150 anos”, exposição mais ampla já realizada no Brasil sobre o artista uruguaio que marcou o modernismo latino-americano. Criador do célebre Mapa Invertido (1943), que coloca o Sul no topo e desafia a visão hegemônica do Norte, Torres García (1874–1949) construiu uma obra que uniu construtivismo e identidade do continente. A mostra reúne cerca de 500 peças — pinturas, desenhos, esculturas, publicações, maquetes e até os brinquedos de madeira que desenvolveu em família. O público também terá acesso a manuscritos raros vindos de Montevidéu, que ajudam a compreender conceitos centrais de sua pesquisa. O CCBB ainda apresenta diálogos entre sua produção e de artistas impactados por ela na América Latina, caso de Alfredo Volpi, Cildo Meireles, Emmanuel Nassar, Hélio Oiticica e Estela Sokol. Depois de São Paulo, a retrospectiva segue para Brasília e Belo Horizonte.
||| Joaquín Torres García – 150 anos | CCBB São Paulo – Rua Álvares Penteado, 112 – Centro | Até 9 de março de 2026. Das 9h às 20h, exceto às terças | Gratuito
Temporã
A artista Juliana dos Santos apresenta “Temporã” na Pinacoteca de São Paulo, projeto realizado em parceria com a Chanel. A exposição, na Galeria Praça, explora o pigmento azul da flor Clitoria ternatea, que se torna o eixo central de sua pesquisa. O trabalho de Juliana se desenvolve a partir de experiências pessoais e memórias afetivas, incluindo práticas de educação artística e vivências em quilombos, que aprofundaram seu interesse por culturas negras e indígenas. Em “Temporã”, o público é convidado a vivenciar o espaço como uma experiência sensorial e meditativa, aproximando espectadores do mesmo encantamento que encontrou no primeiro contato com a flor. Leia o perfil completo da artista em nosso site.
||| Temporã | Pinacoteca de São Paulo – Av. Tiradentes, 273, Luz | Até 8 de fevereiro de 2026. De quarta a segunda, das 10h às 18h (entrada até 17h). Sábados gratuitos | ingressos R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Agnès Varda no IMS
Muito antes de se tornar uma das maiores cineastas do mundo, Agnès Varda desenvolveu seu olhar por meio da fotografia. Ela nunca abandonou tal prática, embora fosse menos conhecida pelo grande público. Por isso, o Instituto Moreira Salles, em São Paulo, dedica a ela uma exposição que reúne cerca de 200 imagens captadas entre os anos 1950 e 1960, que vão de momentos despretensiosos ao registro de grandes eventos e personagens históricos: a Cuba do pós-revolução, o cotidiano dos Panteras Negras ou a primeira companhia de teatro negro em Paris. A mostra ganha um toque afetivo com a curadoria assinada por Rosalie Varda, filha da cineasta e diretora do Ciné-Tamaris.
||| “Fotografia Agnès Varda: Cinema” | IMS Paulista – Av. Paulista, 2424 – Bela Vista, São Paulo | Até 12 de abril de 2026 | Entrada: gratuita
Assim como Rafael, o que fiz é furto qualificado
Roubar gestos do passado para criar novos sentidos é o ponto de partida da nova exposição em cartaz no Museu de Arte Contemporânea da USP. “Assim como Rafael, o que fiz é furto qualificado”, segunda mostra selecionada pelo Edital de Exposições Temporárias 24/25, apresenta 19 pinturas de João Guilherme Parisi que revisitam a tradição pictórica ocidental a partir da apropriação de movimentos retirados de obras históricas. Essas referências reaparecem em composições que flertam com o humor e a paródia, reforçadas por títulos irônicos como “Desencosta, imundice!”. A escolha do nome da exposição aponta para o mesmo jogo crítico: ao brincar com a ideia de “furto qualificado”, Parisi cutuca noções ainda centrais no sistema da arte, como originalidade e genialidade.
||| Assim como Rafael, o que fiz é furto qualificado | MAC USP – Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera | De 29 de novembro a 1 de março de 2026. Terça a domingo das 10 às 21 horas | Entrada gratuita
José Antônio da Silva: Pintar o Brasil
O artista José Antônio da Silva tem sua obra reunida na exposição “Pintar o Brasil”, aberta no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP). A mostra reúne 100 obras, entre pinturas e desenhos, incluindo 75 trabalhos sobre papel. Com curadoria do espanhol Gabriel Pérez-Barreiro e complementação de Fernanda Pitta, a exposição destaca temas centrais da produção de Silva: vida caipira, cenas religiosas, paisagens, naturezas-mortas e autorretratos, refletindo seu olhar sobre o cotidiano rural e o processo de modernização do Brasil no século 20. A mostra ainda inclui cronologia elaborada por Pitta, o curta-metragem “Quem Não Conhece Silva?”, de Carlos Augusto Calil, e um catálogo publicado pela Editora Martins Fontes, reunindo obras e textos das exposições anteriores.
||| José Antônio da Silva: Pintar o Brasil | MAC USP – Avenida Pedro Álvares Cabral, 1301 – Ibirapuera | Até 15 de março de 2026. Terça a domingo das 10 às 21 horas | Entrada gratuita
Sonia Gomes – Barroco, mesmo
Após passar por Ouro Preto e Salvador, o projeto “Sonia Gomes – Barroco, mesmo” aportou no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Com curadoria de Paulo Miyada, a exposição propõe um diálogo entre a produção contemporânea da artista mineira e o legado do barroco brasileiro, reconhecendo nele tanto a exuberância estética quanto as marcas da colonização e da escravidão. A mostra reúne cerca de 80 obras, entre esculturas e instalações, criadas a partir de tecidos, cordas, fios e materiais do cotidiano; elementos que Sonia transforma em construções poéticas sobre corpo, território e ancestralidade. A artista revisita o barroco como expressão do trabalho e da técnica de pessoas africanas e afro-brasileiras, atualizando essa herança em uma linguagem profundamente pessoal.
||| Sonia Gomes – Barroco, mesmo | Instituto Tomie Ohtake – Av. Faria Lima 201 (Entrada pela Rua Coropé, 88) – Pinheiros – SP | Até 8 de fevereiro de 2026. Ter a dom, das 11h às 19h | Entrada gratuita