Oscar 2026: Jay Boggo leva moda autoral brasileira para o tapete vermelho
Em conversa com a BRAVO, designer entrega detalhes sobre as produções que marcam presença no red carpet e analisa a moda brasileira em premiações
Além de concorrer nas categorias do Oscar 2026 com O Agente Secreto e Sonhos de Trem, o Brasil também marca presença na moda do tapete vermelho do evento com criações assinadas pelo artista e desginer Jay Boggo. Diferentes nomes ligados ao cinema e ao mercado audiovisual, incluindo a atriz Alice Carvalho, que faz parte do elenco do longa de Kleber Mendonça Filho, escolheram peças do criador para a premiação, reforçando o espaço da moda autoral brasileira em um dos eventos mais relevantes da indústria global.
Na produção de Alice, Jay foi responsável pela bolsa escultural que acompanha o look, feita especialmente para o momento em colaboração com Marcelo Pasqua. “É uma peça produzida em impressão 3D, feita a partir de um material que mistura pó de madeira com resíduos plásticos reaproveitados da indústria. O design traz uma face feminina dourada que emerge da superfície da bolsa, quase como se fosse uma escultura. A ideia foi criar um objeto que homenageasse as mulheres do cinema, não só as que estão diante das câmeras, mas também as que constroem o cinema nos bastidores. Como a Alice também representa uma nova geração de talentos brasileiros, a peça acaba criando um diálogo simbólico entre arte, cinema e território”, explicou com exclusividade à BRAVO.
Além da atriz, outros nomes da indústria também se destacam com produções assinadas pelo brasileiro: Bárbara Adams, Gerente de Licenciamento de Filmes da Netflix, surge no tapete vermelho com um vestido de seda nude; Silvia Cruz, CEO da Vitrine Filmes, com um vestido japonês em seda; e Letícia Friedrich, produtora e distribuidora de cinema, também com um vestido de seda.
“Levar uma criação brasileira para o Academy Awards tem um peso simbólico muito grande, porque não se trata apenas de um look, mas de levar narrativa e cultural para um palco global. Quando uma peça brasileira aparece ali, ela carrega referências, processos e uma forma de pensar o design que nasce daqui. É uma oportunidade de mostrar que o Brasil também produz moda autoral com linguagem contemporânea e relevância internacional”, destaca Jay Boggo ao refletir sobre o impacto simbólico de levar criações brasileiras para um evento com a visibilidade do Oscar.
O designer também comentou sobre dividir o espaço com grifes internacionais que costumam dominar as premiações, vislumbrando um novo momento para as marcas brasileiras. “Existe, sim, uma tradição muito forte de grandes casas internacionais dominarem esses espaços, então naturalmente há uma expectativa nesse sentido. Mas vejo que isso está mudando. Cada vez mais artistas querem usar peças que tenham significado, ou que tenham uma representação especial. Quando alguém escolhe uma peça brasileira, a decisão passa muito mais por identidade e narrativa”, reforça.
Na sequência, ele também destacou a identidade e a liberdade criativa que acompanham um look com estética brasileira: “Existe uma relação mais orgânica com textura, volume e materialidade. Muitas vezes a peça carrega uma dimensão quase artística, que ultrapassa a ideia de roupa apenas como vestimenta. Quando isso aparece em um evento internacional, chama atenção justamente porque foge de certos padrões mais previsíveis”.
Para finalizar, Jay Boggo respondeu sobre a melhor maneira de designers brasileiros conseguirem equilibrar identidade local e linguagem global. O segredo, segundo ele, é priorizar a originalidade: “Acredito que o equilíbrio acontece quando a gente não tenta imitar o que já está sendo feito fora, mas também entende o contexto internacional. A identidade local precisa ser o ponto de partida. Quando você cria algo genuíno, com pesquisa e verdade, isso naturalmente encontra uma linguagem que dialoga com o mundo”, reflete.
Outro ponto é mostrar que a moda brasileira vai além de estereótipos: “Ainda existe um pouco dessa expectativa de que o Brasil apareça sempre ligado a cores muito vibrantes, tropicalidade ou sensualidade, que não é problema. Até porque esses elementos fazem parte da nossa cultura, mas a moda brasileira também tem uma complexidade a mais. Hoje vemos designers explorando minimalismo, escultura, tecnologia e sustentabilidade, mostrando que nossa identidade é plural”, finaliza.
[abril-veja-tambem]W3siaWQiOjMzNjc0LCJ0aXRsZSI6IiYjeDIwMUM7QWdlbnRlIFNlY3JldG8mI3gyMDFEOyBmaWNhIHNlbSBuZW5odW0gT3NjYXIgYXAmI3hGMztzIGNvbmNvcnJlciBlbSA0IGNhdGVnb3JpYXMifSx7ImlkIjozMzY1NywidGl0bGUiOiJPc2NhciAyMDI2OiAxJiN4QUE7IG11bGhlciBuZWdyYSBpbmRpY2FkYSBhIE1lbGhvciBGb3RvZ3JhZmlhIHZlbmNlIHByJiN4RUE7bWlvIn0seyJpZCI6MzM1OTYsInRpdGxlIjoiT3NjYXIgMjAyNjogZWxlbmNvIGRlICYjeDIwMTg7TyBBZ2VudGUgU2VjcmV0byYjeDIwMTk7IHJlZ2lzdHJhIHNlbGZpZSBubyB0YXBldGUgdmVybWVsaG8ifV0=[/abril-veja-tambem]